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Capítulo 116: O que aconteceu com ele?

  Sem hesitar, o pai de Kay correu para o lado oposto, gritando para atrair a aten??o da criatura.

  — Ei! Olha aqui, bicho feio! — gritou ele, lan?ando pedras e gravetos no ghoul. — é comigo que você tem que se preocupar!

  O monstro se virou bruscamente, fixando o olhar nele, e atacou com um tentáculo que cortava o ar como uma lamina. O pai de Kay saltou para o lado, desviando por pouco, enquanto corria em zigue-zague. As árvores caídas se tornavam obstáculos trai?oeiros a cada passo.

  — "O pior lugar para enfrentar um ghoul sem equipamento!" — pensou ele, rangendo os dentes.

  Ele olhou rapidamente para trás e sentiu o cora??o afundar. O ghoul havia parado e novamente voltava sua aten??o para a m?e de Kay, que corria com dificuldade, carregando o garoto.

  — N?o! — gritou o pai, seu desespero transformando-se em uma determina??o feroz.

  Ele correu de volta, aumentando a velocidade enquanto o monstro avan?ava pela floresta, derrubando árvores como se fossem galhos frágeis.

  — Droga! Ele n?o vai desistir t?o fácil! — murmurou o pai, ofegante, enquanto tentava alcan?ar a criatura.

  A m?e de Kay, correndo com o filho nos bra?os, ouviu o som de madeira estalando e troncos caindo ao longe. O brilho de preocupa??o em seus olhos era evidente. Ent?o, seu celular come?ou a vibrar violentamente.

  — O que é isso? — sussurrou ela, puxando o aparelho enquanto corria. A tela piscava com um brilho vermelho, acompanhada por um alerta sonoro.

  — Esse aviso... — seus olhos se arregalaram. — Tem mais ghouls na cidade?

  Ela olhou para trás e viu o monstro cada vez mais perto. A casa deles também piscava ao longe, com luzes vermelhas intensas, sinalizando o alarme de emergência.

  O pai de Kay n?o estava longe, mas o ghoul era implacável.

  "Está perto de casa. Ele vai alcan?á-los antes de chegarem lá!", pensava o pai de Kay, ofegante enquanto corria atrás do ghoul. Sua respira??o estava acelerada, e o desespero era evidente em seu rosto. — "Pensa, pensa... Tem que ter uma solu??o!"

  Tantos pensamentos preenchiam sua mente que ele sequer percebeu quando o ghoul saltou para o alto.

  — O quê?! — exclamou ele, ao notar a sombra que crescia sobre si.

  — Amor! — gritou a m?e de Kay, já fora da floresta, olhando para trás com pavor.

  — Fujam! — rugiu o pai de Kay, virando-se de frente para o inevitável.

  O ghoul despencou sobre ele, esmagando-o contra o ch?o.

  — N?o! — gritou a m?e de Kay, os olhos arregalados e cheios de lágrimas. — Armas... Precisamos de armas! — Sua voz tremia, mas ela virou e voltou a correr com Kay em seus bra?os.

  O monstro destruiu o restante das árvores à sua frente, lan?ando troncos enormes como projéteis. Um dos troncos passou t?o perto que quase a atingiu.

  Ela mudou de dire??o, contornando os destro?os das árvores caídas. Quando olhou para trás, percebeu que o ghoul havia parado e a encarava, fixamente. Ele os havia alcan?ado.

  — N?o... Mas por quê? — murmurou ela, assustada e ofegante.

  Os tentáculos da criatura come?aram a se mover, preparando-se para atacar.

  — Fuja daqui, filho! — disse ela, com a voz embargada, colocando Kay no ch?o.

  Kay tinha os olhos abertos, mas n?o respondia. Ele parecia incapaz de entender o que estava acontecendo.

  — A mam?e e o papai te amam, Kay. — Ela se ajoelhou e beijou sua testa.

  O ghoul a agarrou com um de seus tentáculos, levantando-a do ch?o.

  — Corra, Kay! — gritou ela, antes de ser lan?ada em dire??o à enorme boca da criatura.

  Kay assistiu em choque enquanto sua m?e era devorada.

  — M?e? — exclamou ele, como se n?o acreditasse no que acabara de ver.

  De longe, Mira assistia à cena, petrificada. — "Tia..." — pensou ela, lágrimas rolando por seu rosto.

  — Minha m?e foi devorada... Mas por quê? Por que tem um ghoul aqui? Cadê meu pai? — murmurava Kay, a mente completamente em frangalhos. — "Cheiro de sangue na floresta... é meu pai? Por quê?!"

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  — Kay! Fuja daí! — pensava Mira, mas sua voz n?o saía, presa pelo medo.

  Ainda em choque, Kay se levantou. O ghoul recuou alguns passos, como se pressentisse algo.

  — Por quê...? Por quê?! — gritou Kay, antes de desaparecer repentinamente.

  No vídeo da camera, via-se apenas as árvores sendo lan?adas para longe. N?o havia ninguém visível. Momentos depois, Kay saiu de sua casa, segurando um bast?o nas m?os.

  — Inseto... Quem te deu permiss?o para matar meus pais? — disse ele, a voz carregada de ódio.

  De longe, Mira observava, tremendo. — "O que deu no Kay? Por que ele n?o foge?"

  Kay avan?ou lentamente em dire??o ao ghoul. A criatura, estranhamente, parecia hesitante. Seu olhar transparecia medo, algo que aqueles que assistiam à grava??o notaram imediatamente.

  O ghoul tentou atacar com os tentáculos, mas eles passaram ao lado de Kay, incapazes de acertá-lo. Ele continuou caminhando calmamente, cada passo aumentando a press?o de terror sobre o monstro.

  Em um segundo ataque, Lavel pausou o vídeo e o colocou em camera lenta.

  — Ele mudou a trajetória dos tentáculos... — disse Lavel, impressionado. — Está desviando com leves toques do bast?o.

  — Ele fez isso no primeiro ataque também? — perguntou Rem, chocada.

  — Sim. — respondeu Lavel.

  Rem olhou para Mira, que ainda n?o tinha coragem de encarar a tela. Ela mantinha o rosto virado, as m?os apertando a barra da camisa.

  No vídeo, o ghoul trocou dois tentáculos por asas e tentou levantar voo.

  — N?o vai fugir! — disse Kay, antes de desaparecer novamente.

  Ele reapareceu acima do ghoul e desferiu um golpe direto contra sua cabe?a com o bast?o, arremessando o enorme corpo para trás. O monstro caiu desajeitadamente na borda da floresta, destruindo o que restava de árvores no impacto.

  Com o rosto ferido, o ghoul percebeu que n?o havia escapatória. Ele transformou novamente suas asas em tentáculos, movendo-os em todas as dire??es enquanto procurava Kay. Mas antes que pudesse reagir, Kay já estava sobre ele, desferindo outro golpe brutal na cabe?a.

  — Morra! — gritava Kay, cada palavra carregada de dor e fúria, enquanto golpeava o monstro repetidamente.

  No quinto golpe, o ghoul já n?o se movia mais. Estava morto.

  Na entrada da floresta, Mira observava tudo, assustada, mas finalmente encontrou for?as para gritar:

  — Kay!

  Ele parou, descendo lentamente do corpo do ghoul. Seus olhos se voltaram para Mira, e a raiva que antes transbordava em sua express?o deu lugar a lágrimas. Kay caiu de joelhos, desabando sob o peso da dor.

  Mira correu até ele, ignorando o medo que ainda sentia, e o abra?ou.

  — Meus pais... — come?ou Kay, a voz fraca e cortada pelo choro.

  — Eu sei. — respondeu Mira, segurando as próprias lágrimas enquanto o apertava contra si.

  — Isso dói... — murmurou Kay, solu?ando.

  — Eu sei... N?o pense nisso agora. Só vai te machucar mais. — disse Mira, abra?ando-o mais forte.

  O corpo de Kay emanava um calor incomum, algo que Mira sentiu imediatamente.

  Rem surgiu correndo com sua espada e o traje, parando ao ver a cena de destrui??o ao redor.

  — Eu matei os ghouls da cidade! Est?o vivos?! — perguntou ela, desesperada.

  Seus olhos pousaram sobre o corpo inerte do ghoul na floresta, e ent?o sobre Kay e Mira. Ela guardou a espada e correu até eles.

  — Ele está bem? — perguntou Rem, agachando-se ao lado deles.

  — Eu n?o sei... Ele está sofrendo muito! — disse Mira, agora chorando junto com Kay.

  — E os pais dele...? — perguntou Rem, cautelosa.

  Mira come?ou a chorar ainda mais. Rem, compreendendo o que havia acontecido sem que precisasse de explica??es, segurou Kay nos bra?os. Junto com Mira, saiu dali o mais rápido que p?de, deixando para trás o cenário de destrui??o e dor.

  No presente.

  — Tinha algo naquele parasita... — come?ou Fernanda, enquanto observava os vídeos com aten??o. — A velocidade, for?a e rea??es do Kay n?o eram humanas, ainda mais considerando a idade dele!

  — Tá dizendo que o Kay n?o é humano? — exclamou Emília, incrédula.

  — N?o é isso. Até porque tanto eu quanto a Aiko fizemos testes no sangue dele e chegamos à mesma conclus?o. O Kay era saudável demais, mas o sangue dele era completamente normal! — explicou Fernanda, com seriedade.

  — Sim, é verdade. — Aiko assentiu e apontou para a tela do monitor. — Agora, analisando esses vídeos, podemos concluir que o Kay estava se tornando... um ghoul.

  — Um ghoul?! — exclamaram Mira e Emília ao mesmo tempo, chocadas.

  — Lembra que eu disse que também analisei o café de vocês? — Aiko continuou. — Acredito que isso tenha impedido Kay de se transformar completamente. Mas acho que esse processo precisava ser constante. Talvez a luta interna entre se tornar um ghoul e permanecer humano tenha sido o motivo daquele sono constante que ele sentia sem tomar o café.

  — Ent?o, podemos concluir que esse parasita tem liga??o direta com os ghouls. — disse Fernanda, cruzando os bra?os com firmeza.

  — Exatamente. — Lavel interveio, projetando a imagem do parasita no monitor maior. — Tomei a liberdade de nomear esse parasita como "Necrovenom".

  — Morte e veneno... Acho apropriado. — comentou Aiko, analisando a imagem atentamente.

  — O mini ghoul deve saber de algo sobre isso. Chamem-no! — sugeriu Mira, com determina??o.

  O sistema de som da base ecoou pelo prédio logo em seguida:

  — Mini ghoul e Kael, compare?am à sala de pesquisa! — anunciou Lavel.

  — "Ela tá roubando meu trabalho..." — pensou Fernanda, irritada, mas permaneceu em silêncio.

  Alguns minutos depois, o mini ghoul e Kael chegaram à sala.

  — Mini ghoul, você sabe o que é aquilo ali? — perguntou Mira, apontando para a imagem do parasita no monitor.

  — Forma primitiva de um ghoul. — respondeu o mini ghoul, com naturalidade.

  — Ent?o isso é um ghoul também?! — exclamou Mira, perplexa.

  — Sim. — confirmou o mini ghoul, balan?ando a cabe?a. — Uma forma que precisa se unir a outro ser para se transformar.

  — Ele transforma alguém em ghoul? — insistiu Mira, sua voz cheia de urgência.

  — Sim. Mas eles sempre escolhem um corpo já morto. Os vivos têm capacidade de impedir que o parasita entre. — explicou o mini ghoul, de forma objetiva.

  — E como os ghouls nascem, ent?o? — perguntou Mira, franzindo a testa. — Se fosse só por meio desse tipo de parasita, n?o era para existir tantos ghouls assim!

  — Humanos podem ser alimentos, crias ou usados para evoluir. — respondeu o mini ghoul. — Quando devoramos um humano, podemos escolher transformá-lo em outro ghoul, mas isso leva dias.

  — é assim que funciona? — disse Fernanda, quase sem acreditar.

  — Os monarcas podem tanto evoluir um ghoul quanto transformar um humano. Já os lipidianos podem transformar humanos diretamente. — esclareceu o mini ghoul.

  — O que s?o esses lipidianos? — perguntou Rem, inclinando-se para frente, interessada.

  — S?o ghouls inteligentes que conseguem transformar humanos em ghouls. Eles sempre trabalham ao lado de um monarca e realizam a transforma??o de forma imediata. — explicou o mini ghoul, apontando para a imagem de uma figura que apareceu no monitor.

  — Ent?o só os monarcas e os lipidianos podem fazer isso? — questionou Mira. — Esses lipidianos s?o t?o fortes quanto os monarcas?

  O mini ghoul balan?ou a cabe?a em nega??o.

  — N?o s?o t?o fortes, e existem poucos deles. — respondeu o mini ghoul, encerrando sua explica??o.

  — Tem mais alguma coisa que precisamos saber? — exclamou Rem, com os olhos fixos no mini ghoul, sua voz carregada de urgência.

  — N?o tenho permiss?o para dizer mais. — respondeu o mini ghoul, desviando o olhar.

  — Quem proibiu? — insistiu Rem, avan?ando um passo em dire??o a ele, a tens?o evidente.

  — Todos os ghouls. Nenhum de nós tem permiss?o para falar com outras ra?as. — disse o mini ghoul, sua express?o inalterada, mas suas palavras carregavam um peso sombrio.

  — Ent?o isso vem da sua ra?a? — Rem estreitou os olhos. — Podemos concluir que algo grande ainda vai acontecer!

  Antes que o mini ghoul pudesse responder, os monitores na sala come?aram a exibir novos vídeos. A sala se iluminou com as imagens, e Lavel imediatamente chamou a aten??o de todos:

  — O reino da quinta divis?o está sob domínio dos ghouls. — informou ela, a voz carregada de gravidade.

  As imagens mostravam cenas devastadoras. áreas inteiras do reino estavam infestadas de ghouls, com humanos sendo capturados e amontoados em condi??es terríveis. O horror estampado nos rostos das vítimas nas imagens era refletido no silêncio tenso de todos que assistiam.

  — Ser?o obrigados a se reproduzirem. — disse o mini ghoul, quebrando o silêncio de forma abrupta. — Se obedecerem, n?o ser?o mortos... pelo menos até que n?o possam mais continuar o processo de reprodu??o.

  As palavras frias do mini ghoul ecoaram pela sala. O impacto foi imediato.

  — Isso é monstruoso! — gritou Emília, se lembrando do que ela passou.

  — Vocês n?o entendem... — come?ou o mini ghoul, a voz baixa, mas carregada de algo que parecia um misto de pena e resigna??o. — Isso é só o come?o.

  A sala mergulhou em um silêncio frio. O ar parecia pesado, como se cada palavra do mini ghoul fosse uma senten?a de morte.

  — "Se isso é só o come?o... o que mais está por vir?" — pensou todos, enquanto seus olhos permaneciam fixos na tela.

  As imagens desapareceram. Apenas um vídeo apareceu na tela.

  — Meu nome é Kay. Estou em casa agora. Já se passaram dois dias desde a morte dos meus pais... — Kay fez uma pausa, respirou fundo, tentando organizar os pensamentos. — Estou gravando isso para o caso de eu perder a memória novamente.

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