— Meu nome é Kay. Estou em casa agora. Já se passaram dois dias desde a morte dos meus pais... — Kay fez uma pausa, respirou fundo, tentando organizar os pensamentos. — Estou gravando isso para o caso de eu perder a memória novamente.
Ele olhou para a camera com uma express?o séria e melancólica.
— N?o me lembro de tudo, mas a Mira e a Rem disseram que fui eu quem eliminou o ghoul que matou meus pais. No entanto, no dia do ataque, a última coisa que me recordo é estar na casa delas para almo?ar. Meus pais ainda estavam vivos. Adormeci assistindo a um filme e, quando acordei, já era outro dia. Os ghouls haviam atacado. Meus pais... — Ele engoliu seco. — E alguns moradores da vila morreram.
Kay desviou o olhar por um momento antes de continuar:
— Por algum motivo, a Lavel apagou a grava??o desse dia, ent?o n?o sei exatamente como tudo aconteceu. Só estou gravando isso para que, caso perca minhas memórias de novo, eu saiba que existe algo em mim capaz de lutar contra os ghouls. Eu decidi pedir para a Rem nos treinar. Precisamos estar preparados para atacar, para sobreviver.
Kay se inclinou ligeiramente para frente, o rosto iluminado pela luz fria da tela.
— A arma que usei foi o bast?o de beisebol do meu pai. A Mira disse que foi a primeira coisa que peguei quando entrei em casa... N?o sei por quê. é impensável que uma crian?a consiga matar um ghoul, mas aconteceu.
Ele respirou fundo, lutando para manter a compostura.
— Quero relatar algo... ultimamente venho sentindo um cansa?o constante, físico e mental. N?o sei até quando conseguirei manter minhas memórias. Nos meus tempos livres, vou continuar as pesquisas dos meus pais. Ah, também preciso registrar que a Mira faz uma bebida especial... ela me mantém acordado. N?o fa?o ideia do que é, mas pretendo perguntar.
Kay colocou uma das m?os na cabe?a, claramente incomodado.
— "Minha cabe?a dói", — pensou ele. — "Mas ao mesmo tempo, quando bebo aquilo, sinto que todos os meus aspectos físicos e mentais melhoram."
Ele se esfor?ou para sorrir levemente para a camera.
— Vou abusar um pouco da gentileza da Mira, mas preciso me manter acordado para continuar as pesquisas. é isso. Lavel, guarde este vídeo e me mostre caso eu perca as memórias novamente. Fa?a também um backup do seu sistema. Vou implementar algumas modifica??es.
A imagem muda.
Dia 1 após o treino com Rem:
— Como podem ver no vídeo da camera... — Kay aparece suando e ofegante. — Rem me mandou ficar fazendo esse movimento até me cansar. Passei metade do dia nisso.
Ele riu, mas havia uma sombra de exaust?o em sua voz.
— Ela ficou surpresa com minha resistência. Eu também fiquei.
No vídeo, Kay aparece almo?ando com Mira e Rem. Após a refei??o, ele toma o café especial de Mira.
— Depois do almo?o, bebi o café da Mira e parecia que toda a minha for?a tinha voltado. Ent?o, fui para casa. Disse a elas que precisava ficar sozinho. Elas ficaram preocupadas, mas n?o insistiram.
A imagem muda para Kay sentado em frente a uma mesa, concentrado.
— Consegui aprimorar as fun??es da Lavel. Ainda faltam alguns upgrades, mas, assim como minha m?e imaginou, ela pode se tornar um ser independente que está sempre evoluindo. N?o é, Lavel?
— Sim, Kay. — respondeu a voz da inteligência artificial.
Kay sorriu levemente e continuou:
— Vou continuar fabricando a arma que meus pais estavam desenvolvendo com o ghoul capturado. Meu olfato agora consegue sentir o cheiro dele mesmo dentro da cápsula. O cheiro é horrível, mas já me acostumei.
Ele fez uma careta, como se relembrasse o odor.
— "Preciso pensar em algo para neutralizar isso depois."
Kay se levantou e caminhou até uma maleta.
— Lavel, mostre a arma que meu pai queria construir!
A imagem de um revólver apareceu na tela.
— Divida a arma em todas as pe?as que a comp?em.
A imagem se ajustou, mostrando o revólver desmontado em várias partes.
— Mostre apenas as pe?as que meus pais n?o montaram ainda.
As pe?as restantes desapareceram, e Kay abriu a maleta.
— Est?o todas aqui? — perguntou ele, enquanto examinava o conteúdo.
— Sim. — confirmou Lavel.
— Mostre como montar um revólver normal.
Um vídeo instrutivo surgiu na tela. Kay assistiu com aten??o, seus olhos fixos em cada detalhe.
— Entendi. — Ele fechou a maleta e sorriu levemente. — Isso aqui é só um monte de carne... talvez n?o seja exatamente o mesmo conceito, mas, já que as pe?as s?o parecidas, vou montar da mesma forma.
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No vídeo, Kay trabalha rapidamente. Suas m?os movem-se em uma velocidade que seria impossível para um humano comum.
— Ent?o é assim que se monta um revólver. — murmurou ele. — A quest?o agora é como fazê-lo funcionar. N?o acho que seja possível, já que é só carne...
Ele carregou o revólver com balas feitas a partir da mesma matéria do ghoul capturado.
Kay olhou para a arma, sua express?o firme.
— Minha m?e acredita que funciona. Caso contrário, ela n?o teria ajudado meu pai a montá-lo. Mas como exatamente isso deve ser usado? — Kay murmurava para si mesmo enquanto pensava em voz alta.
No monitor, a imagem do traje que seu pai estava desenvolvendo apareceu.
— é verdade, bem lembrado! — exclamou ele, deixando a arma sobre a mesa e saindo apressado do laboratório.
Alguns minutos depois, Kay retornou com o traje em m?os, colocando-o cuidadosamente sobre a bancada.
— Tem outras substancias misturadas nesse traje... — Ele analisava o material com aten??o quase cirúrgica. — Talvez seja o material da tinta. E tem algo mais aqui... sinto bem pouco, mas o cheiro... isso é noxium!
Kay franziu o cenho, intrigado.
— "Por que teria noxium no traje? Isso n?o faz sentido... ou faz?" — pensou ele.
Ele olhou o traje como se tentasse decifrar um quebra-cabe?a.
— Seria mais rápido se eu tivesse acesso ao banco de dados do instituto. — Ele respirou fundo e apontou para Lavel. — Quero testar uma coisa. Grave isso bem, Lavel!
— Tá! — respondeu a inteligência artificial.
Kay olhou ao redor do laboratório, avaliando suas op??es.
— Preciso construir uma área de tiro. Se eu ficar testando isso na floresta, corro o risco de a Rem e a Mira descobrirem o que estou fazendo. Lavel, sabe onde elas est?o agora?
No monitor, a imagem da casa de Rem apareceu.
— As duas est?o lá? — perguntou Kay, com um olhar atento.
— Sim. — confirmou Lavel.
— ótimo. Vou fazer o teste na floresta. — Kay pegou a arma feita de partes de ghoul e come?ou a caminhar em dire??o à saída. — Mande um alerta no meu celular se elas saírem da casa!
Ao passar por uma parede discreta no laboratório, Kay apertou um bot?o oculto. A parede deslizou suavemente, revelando um arsenal completo de armas que pertenceram a seu pai. Ele pegou um revólver padr?o e o examinou rapidamente antes de sair em dire??o à floresta.
Na floresta:
A grava??o agora mostrava Kay em uma clareira isolada, cercada por árvores altas. Ele come?ou descarregando completamente a arma feita de ghoul, removendo cada uma das muni??es. Fez o mesmo com o revólver convencional que trouxera consigo.
— "Se ele reage quando entra em contato com alguém compatível... como vai reagir ao noxium?" — pensou Kay, seus olhos brilhando de empolga??o.
Ele colocou uma muni??o feita com noxium na arma de ghoul, observando cada movimento com aten??o quase obsessiva. Em seguida, colocou a arma no ch?o e recuou lentamente.
— Nenhuma rejei??o... — murmurou, caminhando de volta para perto da arma.
Kay a pegou com cuidado e, segurando-a firmemente, respirou fundo.
— Agora vamos descobrir como funciona.
Ele apontou a arma para uma árvore robusta próxima, posicionando os pés no ch?o e ajustando o peso do corpo para um disparo estável. Com as m?os firmes, ele segurou o cabo da arma e pressionou o gatilho levemente, testando sua sensibilidade.
O revólver come?ou a emitir um som grave, quase como um rugido abafado, seguido de um brilho sinistro que emergia das jun??es das pe?as feitas de carne. O brilho percorreu a arma como veias pulsantes, indo diretamente para o cano.
— "Isso n?o é só uma arma... ela está viva!"
Sem hesitar, Kay firmou ainda mais a m?o e apertou o gatilho.
Um disparo ecoou pela floresta. N?o foi um som comum de arma de fogo; era algo mais profundo, quase visceral. A bala, atingiu a árvore, e o impacto causou um furo que a atravessou.
Kay observava, perplexo.
— Isso vai ser... destrui??o pura... — sussurrou ele, olhando para a arma em suas m?os.
O revólver ainda emitia uma leve pulsa??o, como se estivesse "respirando", um brilho sinistro pulsando ritmicamente através das suas veias carnais.
— Lavel, registra tudo. Isso vai ser importante. — Kay segurava a arma com firmeza, os olhos atentos a cada detalhe. — N?o foi um tiro comum. O noxium foi expelido pela arma e....ela está se regenerando. Vamos precisar tornar cada pe?a mais firme. Podemos criar armas que superem facilmente as que os soldados usam.
Ele aproximou o revólver do rosto, sentindo o cheiro forte e penetrante.
— O odor ficou mais intenso... — Ele fez uma pausa, franzindo a testa. — Isso confirma que só materiais de ghouls do mesmo nível ou superiores a esse podem ser usados.
Kay come?ou a recolher as muni??es espalhadas no ch?o, já planejando seu próximo passo.
— Quanto às balas... vou fazer testes, mas acho que é melhor misturar o noxium só nelas. Se o noxium entrar em contato com a arma antes do gatilho ser puxado, há um risco do ghoul expelir a muni??o. E quanto à tinta? Hah, podemos pensar nisso depois. — Ele terminou, deixando escapar um sorriso cansado.
De volta ao laboratório, Kay colocou as armas sobre a mesa e olhou para elas com determina??o.
— Vou come?ar a fabricar as balas outro dia. — Ele suspirou, pensativo. — A Rem quer que eu more com elas... N?o posso ficar vindo aqui toda hora, mas vou tentar vir sempre que possível.
De repente, o monitor do laboratório brilhou, interrompendo seus pensamentos. Uma notícia surgiu na tela, e ele come?ou a ler em voz alta.
— "Nova líder de esquadr?o! Himitsu, uma nova recruta da Primeira Divis?o, demonstrou desempenho excepcional no exército e, em poucos dias, tornou-se líder de esquadr?o."
Kay estreitou os olhos, o tom de surpresa misturado com indigna??o:
— Ent?o é isso que minha tia está fazendo? Entendi. Parece que ela já conseguiu o que queria... — Ele parou por um momento, analisando a imagem que acompanhava a notícia. — Que martelo enorme é aquele? Um martelo, né? Interessante. Talvez eu deva tentar criar uma arma branca depois de terminar essa aqui.
Na tela, Lavel fez aparecer uma carinha sorridente, como se aprovasse a ideia.
Kay deu uma leve risada, mas logo franziu o nariz.
— Na floresta eu senti o cheiro... A Mira deve estar fazendo café. — Ele esticou os bra?os, sentindo a exaust?o no corpo. — Meu corpo ficou mais cansado depois daquele tiro. é uma boa hora para ir até lá.
Kay foi até a sala de mantimentos, preparou mais uma cesta com itens e partiu para a casa da Rem.
No dia seguinte:
O vídeo mostrava Kay treinando intensamente desde o início da manh?. Ele repetia os movimentos que Rem havia instruído com precis?o, o suor escorrendo pelo rosto. Por volta do meio-dia, Rem apareceu, chamando-o para almo?ar.
— Isso vai mesmo me deixar mais forte? — perguntou Kay, ofegante, mas com uma ponta de dúvida no tom.
— Tá me questionando? — respondeu Rem, cruzando os bra?os com firmeza. — Se eu falei que vai ficar mais forte, ent?o você vai ficar mais forte!
— Tá! — Kay respondeu, meio contrariado, mas sem contestar mais.
Eles almo?aram juntos, e à tarde Kay voltou para casa.
No laboratório:
Kay estava pensativo diante do monitor, as m?os cruzadas sob o queixo.
— Como vou juntar dois opostos que n?o podem se unir?... Talvez uma cápsula para o noxium? — murmurou, enquanto analisava os dados no monitor. — Os trajes parecem misturar ambos. Como eles fizeram isso?
Ele se virou para Lavel, esperando alguma sugest?o.
— Tem alguma ideia, Lavel? — perguntou, levantando as sobrancelhas.
No monitor, uma carinha triste apareceu, indicando que Lavel também n?o tinha uma solu??o.
Kay suspirou e olhou para o traje de seu pai, pendurado ao lado.
— O traje parece uma roupa normal. As pessoas que criaram isso s?o mesmo gênios. N?o deve ter problema testar para ver como ele se sente, né?
Kay vestiu o traje com cuidado, mas ele ficou largo e caiu até o ch?o, arrastando-se enquanto ele se movia.
— é como uma roupa comum! — disse, impressionado com o conforto e leveza.
De repente, uma fuma?a densa come?ou a sair do traje.
— Por quê?! — exclamou Kay, surpreso e confuso.