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Capítulo 6: O Pacto de Platina e Sangue

  Capítulo 6: O Pacto de Platina e Sangue

  O horizonte entre as terras Belmont e o território Nishigaki estava pintado com o cinza pesado de uma tempestade iminente. Nas estradas principais, o movimento era nulo; o medo imposto por Sabito havia transformado as rotas comerciais em caminhos fantasmas. No entanto, por entre as passagens montanhosas, um brilho metálico rompia a névoa.

  Jason Belmont cavalgava à frente de uma unidade de elite. Atrás dele, doze cavaleiros Belmont, mestres na manipula??o do Núcleo de Sangue, mantinham um ritmo constante. Eles n?o carregavam estandartes coloridos ou armaduras cerimoniais; vestiam mantos escarlates escuros e armaduras de couro refor?adas, projetadas para mobilidade e combate letal.

  Jason, no entanto, era a exce??o. Sua pele parecia absorver a luz fraca do dia, refletindo um brilho pálido e frio. O Núcleo de Platina n?o era apenas uma armadura externa; era uma mudan?a em sua própria essência. Ele sentia o sangue correr em suas veias como metal líquido, denso e inquebrável.

  Quando a unidade atingiu os port?es do Castelo Nishigaki, a recep??o foi cautelosa. Os guardas Nishigaki, com suas lan?as de gelo prontas, relaxaram apenas quando reconheceram o emblema da família Belmont gravado no peitoral de Jason.

  O port?o de ferro e geada se abriu com um som pesado. Ao entrar no pátio, Jason deparou-se com um cenário de guerra: shinobis afiavam laminas, arqueiros preparavam flechas com pontas de cristal e o clima era de uma fúria contida.

  No topo da escadaria principal, Hiroto e o Gr?o-Mestre Ozoi aguardavam. A temperatura ao redor de Hiroto ainda estava perigosamente baixa, um testamento de que sua paciência havia se esgotado dias atrás.

  — Você demorou, Belmont — disse Hiroto, sua voz soando como o estalo de uma geleira se partindo.

  Jason desmontou com uma agilidade que desmentia o peso de seu novo poder. Ele caminhou até Hiroto e, em vez de uma sauda??o formal, estendeu o bra?o, fechando o punho.

  — Viemos assim que o mensageiro atravessou nossos port?es, Hiroto-sama — respondeu Jason, mantendo o olhar firme. — Meu pai, Lord Alaric, está mobilizando o exército principal para quebrar o cerco de Sabito nos vilarejos. Eu e minha unidade estamos aqui para o que realmente importa agora: o resgate de Sayuri-sama.

  Eles se reuniram rapidamente no sal?o de estratégia. Ozoi abriu um mapa da Capital Real, marcando os pontos onde a influência de Toyotaro era mais forte.

  — O Shogun sabe que você virá, Hiroto — explicou Ozoi, apontando para a Pra?a Central da capital. — Ele quer que você se exponha. Sabito provavelmente já criou uma rede de ilus?es para confundir seus sentidos, e Kurogane estará esperando para esmagar qualquer um que se aproxime das masmorras.

  Jason bateu com a m?o sobre a mesa, o som metálico ecoando.

  — é aqui que entra a minha parte. O Núcleo de Platina é imune à maioria das manipula??es de sangue de Genzō e à press?o sísmica de Kurogane. Eu liderarei a infiltra??o. Enquanto Hiroto-sama atrai a aten??o principal nos port?es da Capital, minha unidade entrará pelo setor leste, usando a distra??o para localizar e extrair a Imperatriz.

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  Hiroto olhou para o jovem Jason. Ele via em Jason n?o mais o garoto que treinava com Yami no Dojo Kokoro, mas um homem que carregava o fardo de uma linhagem poderosa.

  — Você está pedindo para enfrentar os Reis na linha de frente, garoto — disse Hiroto. — Se você falhar, n?o haverá Yami para te salvar desta vez.

  — Eu n?o pretendo ser salvo — respondeu Jason com uma confian?a gélida. — Eu treinei com o Mestre Ozu para ser o escudo que meu cl? e os Nishigaki precisam. O Shogun acredita que o Baralho Real é imbatível porque ele ainda n?o enfrentou a combina??o de Gelo e Platina.

  Sem perder mais tempo, a alian?a foi selada. O plano estava tra?ado: Hiroto lideraria o exército Nishigaki em um ataque frontal, uma demonstra??o de for?a pura para for?ar Kurogane e Sabito a saírem de suas tocas. Simultaneamente, Jason e seu grupo de elite de sangue infiltrariam o cora??o do inimigo.

  Antes de partirem, Ozoi aproximou-se de Jason e entregou-lhe um pequeno frasco com um líquido azul brilhante.

  — Isso é Essência de Gelo Primordial. Se as coisas ficarem feias contra Genzō, quebre isso. Ele n?o espera que o sangue Belmont possa congelar.

  Jason guardou o frasco e montou novamente em seu cavalo. Ele olhou para as montanhas, pensando no amigo que estava a milhares de quil?metros dali, no Nirvana.

  — Resista, Yami — pensou Jason. — Eu vou manter sua família viva até você voltar.

  Com um comando seco, a for?a conjunta partiu. O gelo dos Nishigaki e o sangue dos Belmont agora corriam lado a lado, em dire??o ao cora??o da tirania.

  As masmorras da capital n?o eram feitas de pedra comum, mas de um minério extraído das profundezas que suprimia a circula??o do Núcleo. Sayuri estava acorrentada ao centro de uma cela circular, seus bra?os suspensos por algemas pesadas. Mesmo ferida e com o rosto sujo de fuligem e sangue seco, sua postura permanecia ereta. Ela n?o parecia uma prisioneira, mas uma for?a da natureza momentaneamente contida.

  à frente da cela, protegidas por uma grade de energia dourada, duas mulheres observavam a Imperatriz. Eram as Damas do Baralho Real, a elite feminina responsável pela ordem interna da capital.

  — Você deveria comer, Imperatriz — disse Kiyomi, a Dama de Espadas, cuja armadura branca brilhava sob a luz das tochas. — Seu marido está vindo para uma armadilha. Seria trágico se você n?o tivesse for?as para ver o fim dele.

  Sayuri levantou a cabe?a lentamente, um sorriso de canto de lábio surgindo entre os fios de cabelo escuro.

  — Vocês conhecem o gelo dos Nishigaki, mas n?o entendem o cora??o de Hiroto — respondeu Sayuri, sua voz rouca mas firme. — Ele n?o está vindo para uma armadilha. Ele está vindo para incendiar este trono de cartas.

  A outra mulher, Shiori, a Dama de Ouros, soltou uma risada fria enquanto ajustava suas luvas de seda.

  — O otimismo dos condenados é fascinante. O Shogun Toyotaro já previu cada movimento. Vocês s?o relíquias de uma era que ele decidiu apagar.

  O diálogo foi interrompido por um som dissonante. Risadas histéricas e o barulho de guizos ecoaram pelos corredores úmidos das masmorras. As Damas imediatamente levaram as m?os às suas armas, a express?o de desprezo sendo substituída por uma cautela instintiva.

  Das sombras, surgiram duas figuras que pareciam deslocadas naquele ambiente militar: os Curingas. Suas roupas eram uma mistura caótica de retalhos coloridos e armaduras leves, e seus rostos estavam escondidos por máscaras de porcelana que exibiam sorrisos eternos e macabros.

  — Ora, ora... as Damas est?o brincando de boneca com a prisioneira? — desdenhou o primeiro Curinga, saltitando sobre os calcanhares.

  — Trago notícias do front! — exclamou o segundo, fazendo uma reverência exagerada e zombeteira para Kiyomi e Shiori. — O tabuleiro mudou. O gelo n?o está mais sozinho.

  Kiyomi franziu o cenho. — O que você quer dizer, palha?o?

  — O sangue e a geada se misturaram! — o Curinga gritou, seus olhos brilhando por trás da máscara. — Os Belmont abriram seus port?es. Jason e Alaric marcham ao lado dos Nishigaki. O povo nas estradas já deu um nome para esse pesadelo que se aproxima da capital... eles a chamam de Alian?a do Sangue Congelado.

  O silêncio que se seguiu foi pesado. Shiori e Kiyomi trocaram olhares de preocupa??o. Uma coisa era enfrentar o cl? Nishigaki isolado e faminto; outra, completamente diferente, era enfrentar a for?a bruta do gelo combinada com a resistência inabalável e a manipula??o vital dos Belmont.

  Sayuri, ao ouvir o nome da alian?a, fechou os olhos e soltou um suspiro de alívio que se transformou em uma risada baixa e vitoriosa.

  — O sangue e o gelo... — murmurou Sayuri. — Toyotaro queria uma execu??o, mas ele acabou de come?ar uma revolu??o.

  Os Curingas come?aram a girar em torno das Damas, rindo da tens?o evidente no rosto das guardi?s do Shogun.

  — O que o Shogun vai fazer agora? — perguntou um deles, com a voz subitamente sombria. — O Rei de Paus é forte, mas até o ferro racha quando o sangue congela em suas frestas.

  Sem esperar resposta, os Curingas desapareceram nas sombras t?o rápido quanto surgiram, deixando para trás apenas o eco de suas risadas e o presságio de que a Capital Real deixaria de ser um lugar seguro em muito pouco tempo.

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