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# Capítulo 22: O Predador e a troca de alma

  # Capítulo 22: O Predador e a troca de alma

  O ch?o tremia sob os pés de Orpheus, mas n?o era o tremor da batalha que o abalava, e sim o desespero que corroía sua alma. Lyra jazia inerte, um corpo frágil e ensanguentado, sua respira??o um sussurro quase inaudível. Mira, apesar de seus próprios ferimentos graves, lutava para manter os olhos abertos, uma determina??o feroz em seu olhar que Orpheus reconhecia como a responsabilidade que ela sentia por ele. A cena era um pesadelo vívido, um mosaico de dor e impotência que se gravava em sua mente.

  No meio da destrui??o, Loren se erguia, n?o como uma mulher, mas como uma manifesta??o grotesca de poder. Sua pele, antes rasgada e mutilada, agora se regenerava em um ritmo perturbador, as fissuras se fechando e a substancia negra que a compunha se solidificando, tornando-a mais forte, mais monstruosa. Seus olhos, antes apenas escuros, agora brilhavam com uma luz sobrenatural, e um sorriso maníaco se estendia por seu rosto enquanto ela falava, n?o para eles, mas para o vazio. Suas palavras eram um murmúrio gutural, uma ora??o bizarra e profana, um ritual de devo??o a Skull e ao Vazio. Ela ria, uma risada estridente que ecoava pelas ruínas, pedindo for?a e sabedoria a entidades que Orpheus mal podia compreender.

  A aura de Loren se intensificava a cada segundo, um poder opressor que fazia o ar ao redor dela vibrar. Orpheus sentia o desespero crescer em seu peito, um nó sufocante que amea?ava paralisá-lo. Ele sabia que n?o tinha chance contra ela, n?o naquele estado, n?o com Mira e Lyra à beira da morte. Ele precisava agir, precisava protegê-las, mesmo que isso significasse o fim de sua própria vida.

  Com um esfor?o sobre-humano, Orpheus se abaixou, erguendo Mira e Lyra com cuidado. Seus corpos eram um peso morto, mas a adrenalina e o desespero lhe davam uma for?a que ele n?o sabia possuir. Ele as arrastou para um beco escuro e escondido, um refúgio temporário da carnificina que se desenrolava. "Aguentem firme," ele sussurrou, sua voz embargada pela emo??o. "Eu vou lutar contra ela. Eu vou dar um jeito."

  Mira, com um esfor?o imenso, agarrou seu bra?o. "N?o, Orpheus! Você vai morrer! Ela é... ela é muito forte! Fuja!" Sua voz era fraca, mas a urgência em seus olhos era inconfundível. Ela tentou se levantar, mas a dor a fez cair novamente, um gemido escapando de seus lábios. Orpheus olhou para o estado delas, para a palidez de Lyra, para a exaust?o de Mira. Ele sabia que n?o podia fugir, n?o podia deixá-las. Ele era a única esperan?a delas.

  No fundo, a risada maníaca de Loren ecoava, suas palavras distorcidas e cheias de um fervor religioso. "Oh, Vazio, meu amado! Conceda-me a for?a para esmagar esses vermes! Conceda-me a sabedoria para servir ao meu mestre, Skull!" Era um espetáculo horripilante, uma demonstra??o de lealdade cega e poder crescente. Orpheus sentiu a aura de Loren se expandir ainda mais, o poder de luta dela crescendo exponencialmente. O desespero o consumia, mas Mira, com um último esfor?o, tocou o colar que ele usava, o presente de Lyra.

  "Sua vida... é mais importante," ela sussurrou, seus olhos fixos nos dele. "Fuja, Orpheus. Por favor. Fuja."

  Um sorriso fraco tentou se formar nos lábios de Mira, mas a dor e a exaust?o o distorceram. Orpheus, com o rosto marcado pela tristeza e preocupa??o, sentiu o peso da responsabilidade esmagá-lo. Ele estava prestes a responder, a reafirmar sua decis?o de lutar, quando uma sombra se projetou sobre eles. Uma figura alta e esguia apareceu atrás dele, olhando de cima para baixo. K.

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  Orpheus e Mira se assustaram, seus cora??es disparando com a apari??o repentina. K, com sua habitual postura descontraída, agachou-se ao lado deles, seus olhos avaliando a situa??o com uma frieza calculista. "Apague sua presen?a," ela instruiu Orpheus, sua voz baixa e urgente. "Ela n?o pode saber que você está aqui. N?o ainda."

  K estendeu a m?o, revelando dois pergaminhos enrolados, selados com um símbolo arcano. "Estes s?o pergaminhos de cura avan?ada," ela explicou, sua voz mantendo um tom neutro, apesar da gravidade da situa??o. "Eles s?o ativados após a leitura e o selamento. Far?o com que elas entrem em coma por três dias, acelerando a regenera??o do corpo. Mas durante esse tempo, estar?o completamente indefesas, incapazes de se mover ou acordar."

  Orpheus sentiu um misto de alívio e pavor. A ideia de deixá-las t?o vulneráveis o aterrorizava, mas era a única chance de salvá-las. "K, por favor, me ajude!" ele implorou, a voz embargada. "Eu darei minha espada como pagamento! Eu sei que você é uma mercenária, eu..."

  K sorriu, um sorriso enigmático que n?o alcan?ava seus olhos. "Tenho uma dívida com você, garoto. Você salvou minha vida contra aquela criatura. Agora, vou pagar o favor." Ela fez um gesto com a cabe?a em dire??o aos pergaminhos. "Eles as manter?o vivas, mas você precisa ativá-los e levá-las para longe daqui. O Bar Caneca Furada. Elas estar?o seguras lá. Tobi pode cuidar delas."

  Impulsionado pela urgência e pela gratid?o, Orpheus abra?ou K. Foi um gesto impulsivo, infantil, mas carregado de uma emo??o genuína. K ficou momentaneamente surpresa, mas um sorriso suave, quase imperceptível, curvou seus lábios. Ela afagou o cabelo de Orpheus. "Eu havia esquecido que você é só uma crian?a," ela murmurou, a voz um pouco mais suave. "Agora vá. Ative os pergaminhos e leve-as logo."

  Mira, que havia testemunhado a cena, tentou se levantar, mas a dor a fez cair novamente. "K... Loren é Nível S," ela alertou, a preocupa??o evidente em sua voz. "Você n?o tem chance."

  K apenas sorriu, um brilho perigoso em seus olhos. Era o mesmo olhar predatório que Mira via em Zack quando ele estava prestes a entrar em combate. "é exatamente contra alguém três vezes acima do meu nível que minha habilidade faz efeito," K respondeu, sua voz carregada de uma confian?a inabalável. Orpheus, embora soubesse que K era Nível A, sentiu uma pontada de esperan?a. Ele sabia que K era forte, mas essa declara??o... era algo mais. Mira olhou fixamente para Orpheus, um aviso silencioso em seus olhos: K n?o veio para morrer. Ela veio para ca?ar. Com os olhos arregalados de surpresa e uma nova determina??o, Orpheus come?ou a ativar os pergaminhos em Mira e Lyra, o destino de todos agora nas m?os de K.

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  Enquanto Orpheus se apressava em ativar os pergaminhos, a aura de K explodiu, n?o em um brilho ofuscante, mas em uma energia roxa densa e opressora que se espalhou por toda a área. N?o era o tipo de poder bruto que Loren exibia, mas algo mais sutil, mais insidioso. K saiu do beco, seus passos firmes e decididos, em dire??o à figura monstruosa de Loren que ainda gargalhava em meio aos escombros.

  Sua mente, porém, n?o estava focada apenas na batalha iminente. Memórias fragmentadas e dolorosas invadiram sua consciência. Ela se viu, aos quatorze anos, em meio à agita??o de uma feira de comidas, armas e pergaminhos, espancando um homem de vinte e cinco anos. O rosto dele estava desfigurado, e ela ria, chutando sua cabe?a com uma ferocidade que assustava até mesmo a si mesma. Nala, sua amiga de olhos e cabelos castanhos, corpo magro e pele morena, a segurava, implorando para que parasse. K parou, mas a raiva ainda queimava em seus olhos.

  Nala limpava o rosto machucado de K com um pano úmido, a preocupa??o evidente em sua voz. "Meu pai vai ficar bravo," ela murmurava. K sorria, puxando Nala para um abra?o apertado. "Eles têm que aprender a respeitar o Dojo Tigre," ela disse, a voz carregada de uma promessa sombria. "Estou cansada de eles humilharem seu pai e você. Tudo o que eu fizer, Nala, será por vocês." Nala a olhava com uma mistura de carinho e apreens?o, enquanto as pessoas na feira se afastavam, o medo estampado em seus rostos.

  De repente, a imagem mudou. Uma árvore podre, retorcida contra um céu cinzento. Uma corda, apertada em volta de um pesco?o. Nala. Morta. Enforcada. Vestida com roupas brancas e largas, seu corpo balan?ando suavemente ao vento. As memórias eram um golpe no est?mago, um lembrete cruel de uma dor que K havia tentado enterrar por anos. Por que agora? Por que essas lembran?as ressurgiam neste momento crucial?

  Loren, que observava K se aproximar, pareceu sentir a perturba??o em sua aura. Ela respirou fundo, um som sibilante que parecia sugar o ar ao redor. "Sinto o cheiro... de medo, raiva e tristeza," ela sibilou, um sorriso cruel se abrindo em seu rosto. Loren come?ou a rir descontroladamente, levantando os bra?os em um gesto de triunfo. Era como se o Vazio, ou Skull, tivesse sussurrado os segredos mais sombrios de K em seus ouvidos. "Nala se matou," Loren zombou, sua voz cheia de escárnio, "por ver o Dojo do Tigre passar sua habilidade para alguém como você."

  K respirou fundo, o sorriso de Nala, t?o puro e inocente, piscando em sua mente. A provoca??o de Loren era um golpe direto, mas K n?o cederia. Ela mudou sua postura, levantando os dois bra?os à frente do rosto, as m?os abertas como garras de tigre, as pernas abertas como um animal prestes a pular. Seus olhos, antes cheios de memórias, agora estavam fixos em Loren, uma determina??o fria e letal substituindo qualquer vestígio de dor.

  Loren a encarou, o sorriso de escárnio ainda em seus lábios. Ambas desapareceram e reapareceram, trocando socos no rosto. K girou, acertando um chute no peito de Loren, seguido por mais dois chutes no ar, afastando-a. Loren riu, seus golpes pareciam fracos, ineficazes. "Toda essa pose de alguém forte era mentira," Loren zombou. "Você é apenas Nível A. Seus golpes s?o de uma crian?a em desespero. O Dojo que você aprendeu a lutar se chama Rato, pois só sabe fugir e sobreviver de restos."

  K se manteve em silêncio, sabendo que Loren estava tentando provocá-la, tentando quebrar sua concentra??o. Ela n?o cairia nessa armadilha. Loren reapareceu rapidamente à frente de K, agarrou sua cabe?a e a arrastou pelo ch?o, jogando-a contra casas e prédios, humilhando-a. K foi jogada para o alto e chutada, voando e batendo em várias casas, seu corpo se machucando a cada impacto. Loren continuou a zombar, dizendo que era fácil bater em alguém que aprendeu a lutar em um "Dojo de suicidas".

  K emergiu dos escombros, machucada e ajoelhada, sangue escorrendo de seus ouvidos, olhos e boca. Loren riu, sentindo prazer ao ver K em tal estado de desespero. Mas K se levantou, cambaleante, e fez um sinal com a m?o, chamando Loren. Loren ficou furiosa com a brincadeira, avan?ando para socar K. Mas K era mais rápida. Ela deu um mortal, seu pé direito afundando a m?o de Loren no ch?o, fazendo-a cair de cara. K girou com o pé esquerdo, chutando o rosto de Loren, e em seguida, socou a cabe?a dela no ch?o. K agarrou a cabe?a de Loren e a arrastou pelo ch?o, jogando-a contra casas e prédios, humilhando-a da mesma forma que Loren havia feito com ela. A cena se inverteu: K estava de pé, e Loren estava no ch?o, sangrando, olhando para K com uma mistura de raiva e descren?a.

  "Você usou magia!" Loren gritou, sua voz cheia de fúria. "Só pode ser ilus?o!" K sorriu, um sorriso frio e calculista. "Eu adoro lutar contra alguém mais forte que eu," ela disse. "Minha habilidade, 'Fraco', estava em uso desde o início da luta. Você n?o percebeu, mas eu estava trocando nossos atributos físicos. Agora, você é Nível A, e eu sou Nível S." Loren sentiu-se fraca, o desespero tomando conta dela. Ela nunca imaginou que existisse uma habilidade como essa, ou que alguém pudesse possuí-la. A verdade a atingiu com for?a: K tinha uma habilidade Nível Drag?o, acima do Nível S, algo que Loren nunca havia visto. "Você é devota ao Vazio?" Loren perguntou, sua voz trêmula. "Foi enviada por Skull?" K sorriu com desprezo e humilha??o. "A única coisa que o Vazio vai receber de mim é a merda que sai do meu rabo." Loren gritou de raiva, a humilha??o queimando em sua alma. K havia demonstrado que, no mundo de Soul - The Killer King, n?o é o poder físico ou a energia que domina, mas sim a inteligência e a singularidade da habilidade. Loren descobriria como uma habilidade Nível Drag?o pode aniquilar qualquer um.

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