# Capítulo 20: La?os de Sangue e Promessas
O Bar Caneca Furada pulsava com vida, conversas e música, mas para Zack e Tobi, sentados em sua mesa isolada, existia apenas o momento compartilhado entre velhos amigos – ou inimigos, dependendo de quem perguntasse. A luz azul das lanternas dan?ava sobre seus rostos, criando sombras que escondiam tanto quanto revelavam.
Zack ergueu três pequenos copos de vidro, cada um cheio até a borda com um líquido ambar escuro que refletia a luz como olhos felinos. Tobi pegou os seus, um sorriso torto brincando em seus lábios.
"Como nos velhos tempos?" perguntou Tobi, seu chapéu vermelho inclinado sobre um olho.
"Como nos velhos tempos," concordou Zack, sua voz mais leve do que K jamais havia escutado.
Juntos, contaram: "Um... dois... três!"
Os copos foram virados simultaneamente, o líquido descendo por suas gargantas em um ritual claramente praticado inúmeras vezes. Zack fez uma careta momentanea – a bebida era doce no primeiro instante, depois ardida como fogo, e finalmente forte o suficiente para fazer seus olhos lacrimejarem.
"Vex!" chamou Zack, acenando para o barman tatuado. "Traga-nos um Bode Vermelho."
Um murmúrio percorreu o bar. Alguns clientes trocaram olhares surpresos, outros pareciam impressionados. Vex ergueu as sobrancelhas, mas assentiu com respeito.
"Cinquenta moedas por uma bebida?" murmurou Tobi, balan?ando a cabe?a. "Você sempre foi extravagante quando bêbado."
Enquanto Vex preparava a bebida especial, Zack voltou sua aten??o para o pequeno palco onde Lyra continuava cantando, sua voz etérea flutuando sobre o burburinho do bar.
"Lyra," chamou ele quando ela fez uma pausa entre can??es. "Cante 'La Noche Roja' para nós."
A mulher de olhos heterocromáticos sorriu, um sorriso que transformou seu rosto sério em algo radiante. Zack retirou de seu casaco um saco pesado, o tilintar inconfundível de moedas ecoando quando o jogou em sua dire??o. Lyra o pegou com uma m?o, seus reflexos impressionantes.
"Mil moedas de ouro," disse Zack. "Pelo velho tempo."
Lyra n?o respondeu imediatamente. Em vez disso, aproximou-se da mesa, seus movimentos fluidos como água. Ao pegar o saco de moedas, seus dedos acariciaram deliberadamente a m?o de Zack, um toque que durou mais do que o necessário. Seus olhos – um vermelho, outro verde – encontraram os negros de Zack com uma intensidade que falava de histórias compartilhadas e noites n?o esquecidas.
Tobi observou a intera??o com um sorriso conhecedor, mas permaneceu em silêncio até Lyra se afastar, voltando para o palco.
"Seu safado," murmurou ele ent?o, inclinando-se sobre a mesa. "Algumas coisas nunca mudam, n?o é?"
Zack n?o respondeu à provoca??o. Em vez disso, seu rosto mudou, a leveza anterior desaparecendo como névoa sob o sol forte. Seus olhos negros fixaram-se em Tobi com uma intensidade que fez o sorriso do outro homem vacilar.
"Por que a família?" perguntou Zack abruptamente, sua voz baixa mas afiada como uma lamina.
Tobi recostou-se, aparentemente relaxado, mas Zack notou a tens?o sutil em seus ombros. "Está pagando bem," respondeu ele casualmente, ajustando sua luva direita com a m?o esquerda – um gesto pequeno, quase imperceptível para qualquer um que n?o o conhecesse há décadas.
"Você sempre foi um péssimo mentiroso," disse Zack, um sorriso sem humor curvando seus lábios. "Mexe na luva toda vez."
Tobi congelou, sua m?o parando no meio do movimento.
"Devem estar pagando muito alto para você mentir t?o descaradamente para mim," continuou Zack, inclinando-se para frente. "O que está realmente acontecendo, Tobi?"
Em vez de responder, Tobi observou Vex se aproximar com uma garrafa ornamentada contendo um líquido vermelho escuro que parecia absorver a luz ao redor. O barman serviu dois copos especiais, feitos de cristal negro com detalhes em vermelho sangue, e se afastou discretamente.
Zack n?o tocou em sua bebida. Em vez disso, alcan?ou o bolso interno de seu casaco e retirou um objeto pequeno e circular. Colocou-o na mesa entre eles com um clique suave.
Uma bússola.
O efeito foi imediato e dramático. Tobi levantou-se t?o abruptamente que sua cadeira caiu para trás com um estrondo que silenciou momentaneamente o bar. Seu rosto, normalmente composto, contorceu-se em uma máscara de raiva.
"Seu filho da puta," sibilou ele, punhos cerrados ao lado do corpo.
Zack permaneceu sentado, impassível diante da explos?o. "Você me deve, Tobi," disse ele calmamente, apontando para a bússola. "E estou cobrando agora."
Por um momento, pareceu que Tobi poderia atacar – sua m?o direita tremeu, movendo-se quase imperceptivelmente em dire??o à arma escondida sob seu casaco. Mas ent?o, como uma vela sendo soprada, sua raiva pareceu se dissipar. Ele pegou a cadeira caída, endireitou-a e sentou-se novamente.
"Golpe baixo, Zack," murmurou ele, passando a m?o pelo rosto. "Mesmo para você."
Um silêncio pesado caiu entre eles, quebrado apenas quando Tobi soltou uma risada curta e sem humor. "Sabe qual é a piada? Depois de todos esses anos tentando escapar do passado, ainda estou preso por promessas feitas por um garoto estúpido que nem existe mais."
Zack n?o respondeu, apenas observou enquanto Tobi alcan?ava o bolso interno de seu próprio casaco. O Ca?ador retirou um objeto idêntico ao que Zack havia colocado na mesa – outra bússola, gasta pelo tempo e uso, mas inconfundivelmente igual.
"Nanashi deixou ela pra gente," disse Tobi, colocando sua bússola ao lado da de Zack. "Uma para cada um, lembra?"
Simultaneamente, como se ensaiado, ambos abriram suas bússolas. Em vez de apontarem para o norte, as agulhas giraram lentamente até apontarem uma para a outra – um vínculo literal entre os dois homens, transcendendo distancia e tempo.
Seus olhares se encontraram sobre as bússolas abertas, e algo passou entre eles – uma compreens?o compartilhada, memórias de tempos mais simples, quando o mundo parecia menor e as escolhas, mais claras. Ambos riram, o som genuíno e surpreendentemente jovial.
Tobi estendeu a m?o, colocando-a sobre o ombro de Zack em um gesto raro de afeto físico. "Sinto falta dele," admitiu, sua voz mais suave.
"Eu também," respondeu Zack, a simples admiss?o carregando o peso de anos de luto n?o processado.
Por um momento, ficaram em silêncio, cada um perdido em suas próprias memórias do homem que havia conectado seus destinos. O bar continuava barulhento ao redor deles, mas em sua mesa existia uma bolha de quietude respeitosa.
"Mantive minha promessa," disse Zack finalmente. "N?o interferi no País Poliedro."
Tobi assentiu lentamente. "E deve continuar assim," respondeu ele, dando um tapa amigável no ombro de Zack. "N?o quero ter que ca?ar as poucas pessoas que amo."
Ele tomou um gole de sua bebida antes de continuar: "O país n?o obteve informa??es suas por mais de cinco anos. A ca?ada foi suspensa temporariamente – estava custando muitos soldados e dinheiro."
Zack franziu a testa, seus olhos negros se estreitando. "Você n?o precisava se arriscar," disse ele, uma nota de irrita??o genuína em sua voz.
Tobi deu de ombros, acendendo um cigarro com movimentos fluidos. A fuma?a subiu em espirais pregui?osas entre eles enquanto ele tomava outro gole de whisky. "Foi fácil manipular as pistas, matar aqueles que foram mandados atrás de você," disse ele com uma casualidade perturbadora. "Apenas parte do trabalho."
"Por que n?o volta?" perguntou Tobi subitamente, inclinando-se para frente. "Poliedro o aceitaria de volta se você fosse uma arma do governo. Como um cachorro obediente." Ele sorriu, mas o sorriso n?o alcan?ou seus olhos. "Poderia quebrar regras, matar, comprar e fazer o que quisesse. Como eu fa?o."
"Uma vida sem propósito," respondeu Zack, balan?ando a cabe?a.
Tobi soltou uma risada curta, estendendo a m?o para tocar o tecido simples da roupa de Zack. "E isso tem propósito?" perguntou ele com desdém.
Zack n?o respondeu à provoca??o. Em vez disso, após um momento de hesita??o, perguntou: "Como está o Rei?"
O silêncio que seguiu foi denso, carregado de significados n?o ditos. Tobi estudou o rosto de Zack por um longo momento antes de responder: "Esque?a seu pai, Zack."
As palavras atingiram Zack como um golpe físico. Ele abaixou a cabe?a, uma vulnerabilidade raramente vista no temido Ca?ador dos Olhos Negros. Seus ombros, normalmente eretos com confian?a inabalável, pareceram curvar-se sob o peso de uma história n?o contada.
"Por que você ainda tenta acreditar que ele vai mudar?" perguntou Tobi, sua voz misturando frustra??o e compaix?o.
Zack permaneceu em silêncio, seus olhos fixos na bebida intocada à sua frente.
"Ele está pior," continuou Tobi, sua voz endurecendo. "Os políticos mudaram as leis. Agora adultos de qualquer idade podem casar com crian?as entre dez anos." Seu rosto se contorceu em uma express?o de nojo genuíno. "Velhos de setenta, oitenta, noventa anos casando com crian?as. Com a bên??o do estado."
A m?o de Zack apertou a borda da mesa com for?a crescente, seus nós dos dedos embranquecendo, mas seu rosto permaneceu impassível, uma máscara perfeita escondendo a tempestade interior.
"O país está mudando," disse Tobi, sua voz aumentando gradualmente. "E por sua culpa!" As últimas palavras foram quase gritadas, atraindo olhares curiosos de mesas próximas. "Você abandonou o país e o deixou nas m?os dos esgotos. Por sua culpa, Nanashi, Isabela, Moni—"
Ele parou abruptamente, as palavras morrendo em sua garganta ao ver algo que poucos jamais testemunharam: lágrimas silenciosas escorrendo pelo rosto de Zack, seu corpo tremendo ligeiramente enquanto murmurava repetidamente: "Me perdoe... me perdoe..."
A raiva de Tobi evaporou instantaneamente, substituída por culpa. "Merda," murmurou ele, passando a m?o pelo rosto. "Zack, eu... eu n?o deveria... n?o é sua culpa. Eu só..."
Ele se levantou, contornando a mesa para se aproximar de Zack, colocando os bra?os ao redor dos ombros do amigo em um abra?o desajeitado mas sincero. "Me desculpe," disse ele, sua voz rouca. "N?o deveria ter dito isso. N?o é sua culpa."
Zack respirou fundo, recuperando a compostura com esfor?o visível. Tobi voltou ao seu lugar, um silêncio pesado pairando entre eles.
"Há algo que você precisa saber," disse Tobi finalmente, sua voz baixa, quase um sussurro. "Foi o País Poliedro que mandou matar a família e localizar um bebê."
Zack ergueu os olhos, subitamente alerta. "Bebê?"
"Essa informa??o n?o pode sair daqui," continuou Tobi, inclinando-se ainda mais para frente. "O bebê de Loren e Matheus tem olho dourado."
O efeito das palavras foi elétrico. Zack arregalou os olhos e levantou-se t?o abruptamente que sua cadeira caiu para trás. Todo o bar caiu em um silêncio sepulcral, todos os olhos voltados para sua figura imponente.
Percebendo a aten??o indesejada, Zack fez um gesto apaziguador com a m?o. "Está tudo bem," disse ele em voz alta. "Continuem."
Gradualmente, as conversas foram retomadas, embora muitos olhares curiosos continuassem a se voltar para sua mesa. Zack endireitou a cadeira e sentou-se novamente, inclinando-se para Tobi com urgência mal contida.
"O que está acontecendo?" perguntou ele, sua voz um sussurro tenso. "Como um olho dourado apareceu? Isso é t?o raro que apenas três foram registrados nos últimos mil anos."
"Seu pai pediu que eu fizesse essa miss?o pessoalmente," respondeu Tobi, seu rosto sombrio.
Zack estudou o amigo por um longo momento, a compreens?o lentamente se formando em seus olhos. "Você n?o vai desistir dessa miss?o," disse ele finalmente. N?o era uma pergunta.
"N?o é pelo dinheiro," confirmou Tobi. "é pelos olhos dourados."
"N?o é uma escolha," concluiu Zack. "é uma obriga??o."
Antes que Tobi pudesse responder, uma figura familiar aproximou-se da mesa. K havia entrado no bar sem que nenhum dos dois notasse, absortos como estavam em sua conversa. Ela parou ao lado da mesa, observando a tens?o palpável entre os dois homens que se encaravam como predadores prestes a atacar.
Sem pedir permiss?o, K puxou uma cadeira e sentou-se entre eles.
"Saia," disse Tobi imediatamente, sua voz fria.
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"Ela está comigo," interveio Zack, surpreendendo K. "Apenas n?o toque no assunto dos olhos. O resto você pode falar."
K olhou de um para o outro, claramente confusa com a dinamica que testemunhava. "O que está acontecendo aqui?" perguntou ela.
"Nada pessoal," disse Tobi, dirigindo-se a K com uma casualidade perturbadora, "mas você vai morrer por estar no lugar errado e ter pego a tarefa errada."
Zack pegou a garrafa de Bode Vermelho e serviu um copo para K, empurrando-o em sua dire??o. Ela o aceitou hesitantemente, seus olhos nunca deixando os dois homens.
K tomou um pequeno gole e quase engasgou com a for?a da bebida. Enquanto recuperava o f?lego, ela observou Zack e Tobi – dois homens que claramente pretendiam se matar em algum momento futuro, mas que agora bebiam e ocasionalmente riam juntos como velhos amigos. Era desconcertante, como observar duas tempestades conversando civilizadamente antes de colidirem.
"Nunca vi nada assim," murmurou ela, mais para si mesma do que para eles.
Zack a ouviu. "Tobi é um irm?o Ca?ador," explicou ele, sua voz ligeiramente arrastada indicando que o álcool come?ava a afetá-lo. "Momentos como este s?o normais em nosso mundo."
"Nos encontramos em Misfortune mais tarde," disse Zack a Tobi. "Para terminar nossa conversa. Tenho uma proposta para você."
"Por que você n?o desiste do trabalho?" perguntou K a Tobi, incapaz de conter sua curiosidade. "Seria mais simples."
Tobi apenas a encarou em silêncio, seus olhos azuis frios como gelo.
Depois de um momento desconfortável, ele se virou para K com um sorriso que n?o alcan?ava seus olhos. "Quanto tempo faz desde que você se divertiu?" perguntou ele, mudando de assunto abruptamente.
K piscou, surpresa pela pergunta. "Muito tempo," admitiu ela.
"Tenho um quarto disponível aqui no bar," disse Tobi, seu sorriso se alargando. "Poderíamos aproveitar melhor antes de tentarmos nos matar."
K ergueu uma sobrancelha, ent?o se virou para Vex. "Me dê um dado," pediu ela.
O barman tatuado deslizou um pequeno cubo de osso pela superfície polida do balc?o. K o pegou e, para surpresa de Tobi, entregou-o a Zack.
"Só vou aceitar se der seis no dado três vezes seguidas," disse ela a Tobi, um sorriso desafiador em seus lábios.
"Isso é injusto!" protestou Tobi, sua voz mais alta do que o necessário, seus movimentos desajeitados revelando seu estado de embriaguez.
Zack riu, um som surpreendentemente jovial. "Olhe para você," provocou ele. "O grande Ca?ador Tobi, derrubado por algumas doses de Bode Vermelho. O que diriam seus admiradores?"
Tobi fez uma careta, mas havia um sorriso relutante em seus lábios. "Jogue logo o maldito dado," resmungou ele.
Zack balan?ou o dado entre os dedos e o lan?ou sobre a mesa. Ele girou várias vezes antes de parar, mostrando seis pontos para cima. K ergueu as sobrancelhas, surpresa. Zack lan?ou novamente – outro seis. E uma terceira vez – seis novamente.
"Impossível," murmurou K.
Tobi levantou-se cambaleante, erguendo os bra?os em triunfo. "Venci!" gritou ele, sua compostura habitual completamente abandonada.
Para absoluto espanto de K, Zack também se levantou, abra?ando Tobi enquanto ambos pulavam como torcedores comemorando um gol decisivo. Eles riam descontroladamente, batendo nas costas um do outro, completamente alheios aos olhares at?nitos dos outros clientes do bar.
K n?o p?de evitar – ela come?ou a rir também. Era absurdo, ridículo e completamente inesperado ver os dois ca?adores mais temidos do mundo comportando-se como garotos bêbados. Havia algo profundamente humanizador na cena, algo que transformava figuras lendárias em pessoas reais diante de seus olhos.
A celebra??o foi interrompida quando Tobi, em um movimento particularmente entusiástico, perdeu o equilíbrio e bateu a cabe?a na borda da mesa, caindo de joelhos com um gemido meio dolorido, meio risonho.
"Acho que alguém precisa ir para a cama," comentou K, ainda rindo enquanto se levantava para ajudá-lo.
"Cuide bem dele," disse Zack, voltando a sentar-se. "Ele é um idiota, mas é meu idiota."
K assentiu, passando o bra?o de Tobi por seus ombros para apoiá-lo. "Vamos, grande Ca?ador. Hora de descansar."
Enquanto K guiava um Tobi cambaleante para longe, Zack permaneceu sentado, sozinho com seus pensamentos. Seu rosto, momentaneamente iluminado pela alegria compartilhada com seu velho amigo, gradualmente retornou a uma express?o mais contemplativa. Ele girou o copo em suas m?os, observando o líquido vermelho escuro como se pudesse encontrar respostas em suas profundezas.
Estava t?o absorto em seus pensamentos que n?o notou Lyra se aproximando até que ela estivesse diante dele. Sem uma palavra, ela se inclinou e pressionou seus lábios contra os dele em um beijo que falava de familiaridade e desejo há muito contido.
Quando ela se afastou, seus olhos heterocromáticos brilhavam com uma mistura de afeto e desafio. "Deixei guardado para você," disse ela simplesmente.
Zack ergueu a m?o, tocando o rosto dela com uma gentileza que poucos acreditariam possível das m?os que empunhavam a temida Lua Negra. "Você já fez muito por mim, Lyra," disse ele, sua voz baixa e rouca.
"Cale a boca," respondeu ela, um sorriso curvando seus lábios.
Ambos se levantaram e, sem mais palavras, dirigiram-se para os fundos do bar, subindo uma escada estreita que levava aos quartos no andar superior. O quarto de Lyra era surpreendentemente espa?oso e bem decorado – grande, bonito e organizado, com vários espelhos estrategicamente posicionados nas paredes, refletindo a luz suave de velas perfumadas.
"Mira estava com saudades," comentou Lyra enquanto fechava a porta atrás deles. "Ficará com ciúmes quando souber que n?o a chamei."
"Chame-a," sugeriu Zack.
Lyra balan?ou a cabe?a, um sorriso misterioso em seus lábios. "Hoje você é todo meu," declarou ela, come?ando a desabotoar seu vestido com movimentos deliberadamente lentos.
O tecido negro deslizou por seu corpo como água, revelando pele pálida marcada por tatuagens rituais que serpenteavam como constela??es vivas. Seus seios eram pequenos mas perfeitos, coroados por mamilos escuros que contrastavam com a palidez de sua pele. Sua cintura estreita se abria em quadris generosos, e uma cicatriz longa e fina cortava diagonalmente seu abd?men – uma marca de batalha que só aumentava sua beleza selvagem.
Com um movimento fluido, ela empurrou Zack para a cama, suas m?os já trabalhando para libertá-lo de suas roupas. Seus dedos tra?aram as inúmeras cicatrizes que marcavam o torso musculoso dele – cada uma uma história, cada uma uma lembran?a de morte evitada por pouco.
O corpo de Zack era uma obra de arte brutal – músculos definidos n?o por vaidade, mas por necessidade e uso constante. Sua pele morena contrastava com a palidez de Lyra, criando um mosaico visual de luz e sombra quando seus corpos se encontraram.
Seus lábios se encontraram novamente, desta vez em um beijo faminto, anos de desejo reprimido explodindo em uma única conex?o. As m?os de Zack exploraram o corpo de Lyra com reverência e familiaridade simultaneas, como um viajante retornando a uma terra amada após longa ausência.
Lyra montou sobre ele, seus cabelos prateados caindo como uma cortina ao redor de seus rostos enquanto ela o guiava para dentro de si. Ambos suspiraram com o contato, seus corpos lembrando-se um do outro apesar do tempo separados.
Eles se moveram juntos em uma dan?a antiga, seus corpos encontrando um ritmo que transcendia palavras. N?o havia gentileza em sua uni?o – era crua, desesperada, quase violenta em sua intensidade. Dentes marcavam pele, unhas deixavam trilhas vermelhas, respira??es ofegantes misturavam-se com gemidos e palavras meio formadas.
Era mais que desejo físico – era uma afirma??o de vida, um momento de conex?o genuína em um mundo onde ambos viviam como predadores solitários. Por aquelas horas, n?o eram o Ca?ador dos Olhos Negros e a Cantora de Voz de Sereia – eram apenas Zack e Lyra, dois corpos buscando conforto e prazer nos bra?os um do outro.
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Zack acordou horas depois, a luz vermelha da lua entrando pela janela aberta e pintando o quarto em tons de sangue. Por um momento, ficou desorientado, até que as memórias da noite voltaram – Tobi, as revela??es, Lyra...
Virando a cabe?a, viu que n?o estava sozinho na cama. Mira dormia profundamente ao seu lado, completamente nua, um bra?o possessivamente jogado sobre seu peito. Seu corpo era diferente do de Lyra – mais robusto, musculoso, marcado por cicatrizes de batalha que contavam histórias de violência e sobrevivência. Seus seios eram maiores, pressionados contra o lado de Zack, e seu cabelo negro curto emoldurava um rosto forte que, no sono, parecia surpreendentemente vulnerável.
Zack passou os dedos suavemente pelas costas dela, tra?ando as cicatrizes que conhecia t?o bem, depositando beijos suaves em sua testa. Mira respondeu inconscientemente, fazendo pequenos sons de contentamento sem acordar.
Olhando além dela, Zack viu Lyra de pé junto à janela, vestindo apenas uma calcinha, seus seios expostos à luz da lua. Ela fumava um cigarro, a fuma?a subindo em espirais pregui?osas enquanto ela contemplava a cidade abaixo.
"Quanto tempo você vai ficar desta vez?" perguntou ela sem se virar, sua voz carregando uma tristeza resignada.
"Vim buscar a Black Moon e treinar meu pupilo," respondeu Zack após um momento de hesita??o.
Lyra respirou fundo, seus ombros caindo ligeiramente. Quando falou novamente, sua voz estava carregada de emo??o contida: "Estamos cansadas de esperar, Zack. Eu e Mira."
Zack n?o respondeu, seu silêncio mais eloquente que qualquer palavra.
"Tudo está piorando," disse ele finalmente, sua voz baixa mas intensa. "Me afastar do mundo, de todos vocês... só fez os países piorarem." A frustra??o era evidente em seu tom, a desilus?o de um homem confrontando o fracasso de suas próprias escolhas.
"Ent?o quebre sua promessa," desafiou Lyra, virando-se para encará-lo, seus olhos brilhando com uma mistura de raiva e esperan?a.
"Nanashi n?o aceitaria," respondeu Zack, balan?ando a cabe?a.
"Nanashi está morto!" gritou Lyra, sua voz ecoando no quarto silencioso.
Mira se mexeu no sono mas n?o acordou. Zack olhou para ela, ent?o de volta para Lyra, o peso de anos de escolhas difíceis visível em seu rosto.
"Vou conversar com Tobi," disse ele finalmente. "Dependendo do que ouvir... as coisas podem mudar."
Lyra soltou uma risada sem humor. "N?o acredito em você."
"Ficarei três anos aqui," declarou Zack, sua voz firme. "Treinando Orpheus. E quando ele fizer dezoito anos..." Ele fez uma pausa, como se as próximas palavras fossem difíceis de pronunciar. "Minhas a??es v?o mudar. E vou precisar de você e Mira ao meu lado."
O efeito das palavras foi imediato e dramático. O rosto de Lyra se iluminou com esperan?a genuína, seus olhos se arregalando em surpresa e alegria. Ela jogou o cigarro pela janela e correu para a cama, pulando sobre Zack com um entusiasmo que o fez rir apesar da seriedade do momento.
"Você promete?" sussurrou ela, cobrindo seu rosto de beijos. "Jure pela memória de Nanashi."
"Eu juro," respondeu Zack, segurando o rosto dela entre suas m?os. "Três anos. N?o mais."
Lyra o beijou profundamente, seu corpo pressionado contra o dele em uma promessa física que espelhava a verbal. Ao lado deles, Mira continuava dormindo pacificamente, alheia à conversa que acabara de mudar o curso de suas vidas.
Enquanto Lyra o cobria de beijos e carícias, Zack olhou pela janela para a lua vermelha que pairava sobre a cidade como um olho vigilante. Por um momento, pareceu-lhe que a lua o observava de volta – um lembrete silencioso de que, mesmo neste momento de paz e conex?o, for?as maiores estavam em movimento.
Três anos. Tempo suficiente para treinar Orpheus, para recuperar a Black Moon, para preparar-se para o que viria depois. Tempo suficiente para reunir aliados e recursos. Tempo suficiente para se despedir do homem que havia sido e se preparar para se tornar o homem que precisava ser.
A lua continuou a observá-lo, impassível e eterna, enquanto ele se entregava novamente ao calor e conforto dos bra?os de Lyra, saboreando um momento de paz que sabia ser temporário.
Lembre-se de acompanhar a história e deixar um favorito e um comentário para me dizer se você gostou ou n?o. Vejo que muitas pessoas leem a história, mas n?o seguem a página — seu apoio realmente me ajuda a entender que você gostou.
Obrigado pela leitura.
Tabelas Oficiais do Mundo
Tabela 1 — Criaturas do Void
Tabela 2 — Continente Vermelho
Tabela 3 — Ca?adores
Tabela 4 — Sistema de Ranks do Mundo
Tabela 5 — Energia Espiritual e Habilidades
Tabela 6 — Ca?adores Irregulares
Regra Fundamental do Mundo
Aura n?o define poder.
For?a física n?o garante sobrevivência.
Habilidade é o que separa os fortes dos mortos.

