Finalmente, Saphira e eu estávamos namorando. A sensa??o física de ter aquele colar mágico conectado ao meu próprio núcleo me trazia uma paz de espírito, uma ancora de sanidade, que eu n?o sentia há longos sete anos.
Mas o destino e o Sistema de Leunders s?o sádicos. O romance teve que ser empurrado para o segundo plano quase que imediatamente.
O Professor Lucius havia acabado de anunciar no anfiteatro que a Academia realizaria o colossal Torneio das Fac??es dali a exatas duas semanas. Uma prova??o de combate 1 contra 1 para testar nossas habilidades individuais, entreter a nobreza e separar cirurgicamente os fracos da verdadeira elite do continente. O meu tempo estava escorrendo pelos dedos, e a press?o bélica era esmagadora.
Eu possuía atributos físicos monstruosos — a minha For?a e Inteligência já beiravam a casa dos 240 pontos gra?as à passiva automática da classe Grande Herói —, mas os meus Circuitos Mágicos Roxos continuavam travados. A evolu??o caótica parecia n?o terminar nunca. A minha magia externa simplesmente falhava, e eu ainda n?o conseguia ultrapassar o 6o Passo da minha letal Teoria dos 13 Passos sem que o meu cérebro superaquecesse e eu desmaiasse de exaust?o térmica.
Eu precisava consertar esse bug biológico urgentemente, mas... por onde come?ar?
Estávamos descendo as longas escadarias de mármore do prédio principal quando Saphira me puxou levemente pela manga do casaco de couro.
— Ei! Amor! — ela sussurrou, com aquele sorriso de canto irresistível e predatório.
Olha... ouvir a palavra "Amor" saindo da boca da Princesa Sanguinária de Sentostela direcionada a mim era muito estranho no início, mas, ao mesmo tempo, confortava a minha alma de uma forma absurda.
— Vamos treinar? — ela completou, os olhos púrpuras brilhando com o vício e o instinto de batalha de sempre.
Eu aceitei na mesma hora. Era exatamente o que eu precisava. Chamamos o Joshua, que estava alguns degraus abaixo de nós batendo papo com outros plebeus. Ele topou instantaneamente, o rosto iluminando-se com a ideia de cruzar espadas pesadas conosco de novo. O nosso objetivo primordial ali era melhorar a nossa sinergia como o recém-formado e oficializado Grupo Eclipse, ajudando uns aos outros a cobrir as próprias falhas e pontos cegos.
Porém, enquanto o nosso grupo treinava exaustivamente nas arenas isoladas da Academia focados no torneio, os resultados da minha rebeldia — a minha vitória humilhante e de um soco só contra o General Zigles Heisenberg na prova de admiss?o — acabavam de fazer um efeito devastador nas altas esferas burocráticas do reino.
[Palácio Real de Eldória — Sala de Reuni?es Secretas]
O ambiente no subsolo do palácio estava denso e asfixiante. A pesada mesa redonda de carvalho maci?o era iluminada por poucas velas mágicas que n?o emitiam calor. Sentados ao redor dela, os homens políticos e militares mais poderosos do Reino da Justi?a suavam frio sob as suas roupas de seda.
O Rei Aldric von Eldória suspirou pesadamente, massageando as têmporas grisalhas.
— Senhores! Temos um desastre diplomático e militar nas m?os! — a voz do monarca ecoou cansada e assustada pelas paredes de pedra. — De acordo com os relatórios urgentes da nossa alian?a e do servi?o de inteligência da Guilda, o nosso poder de barganha continental e de intimida??o foi drasticamente reduzido nas últimas quarenta e oito horas. Ministro Magna, exponha os fatos.
O Primeiro Ministro levantou-se trêmulo, ajeitando os óculos no rosto tenso.
— Sim, Vossa Majestade. Aparentemente, o frágil equilíbrio de poder do continente foi sumariamente quebrado. Quando a Senhora Sara Heisenberg e o nosso maior mago, Shin Wolford, morreram há sete anos, as nossas defesas e a nossa moral já haviam despencado. Mas agora, com a recente, brutal e pública derrota do nosso Comandante-Geral nas arenas de calouros da Academia... ficou terrivelmente claro que o filho exilado de Shin e Sara se tornou uma anomalia de nível apocalíptico!
O ministro apontou um graveto para um pergaminho rúnico no centro da mesa, que projetava em luz o meu rosto frio e a minha espada de carvalho negro.
— Igris Wolford deixou Eldória chorando, mas foi forjado e reconstruído no inferno militar de Sentostela. Além disso, ele se afiliou de forma íntima e oficial à Saphira Silford, a Princesa Herdeira de lá, e ao talento bruto de um plebeu indomável. O mais assustador, Majestade, é que, mesmo eles tendo apenas doze anos de idade, os registros periciais da Guilda de Aventureiros comprovam que a for?a bruta dos três já ultrapassou com folga o nível de poder de toda a nossa guarda de elite somada. Se eles quiserem, em um surto de rebeldia, apenas os dois garotos conseguem destruir este palácio até os alicerces e varrer o nosso exército sozinhos! Considerando esses fatos absolutos, significa que...
O Chefe do Departamento de Seguran?a engoliu em seco, completando a frase:
— Significa que o Reino de Sentostela agora detém o poder absoluto de destrui??o mútua. é uma situa??o geopolítica extremamente preocupante. Nós somos o Reino das Leis e da Meritocracia, mas as nossas leis de papel de nada servem contra monstros físicos e anomalias de Sistema que andam livremente pelos corredores da nossa escola.
Sentado no fundo escuro da sala, com grossos curativos rúnicos ainda envolvendo as costelas afundadas devido ao meu soco, o Comandante-Geral Zigles Heisenberg finalmente falou, a dor e o orgulho militar ferido transparecendo na voz rouca:
— Majestade... ainda temos a maldita Organiza??o das Trevas à solta nas fronteiras. Eles n?o fizeram aquele massacre no baile sete anos atrás à toa; deve haver algum planejamento de longo prazo, e eles podem voltar a atacar a capital a qualquer momento. Se houver uma guerra interna por tentarmos prender o garoto, ou um conflito continental provocado por orgulho, nós de Eldória seremos esmagados sem piedade em duas frentes. Precisamos engolir o nosso veneno. Ao invés de tentarmos conter, punir ou antagonizar Igris e a Princesa Saphira, seria infinitamente mais inteligente e seguro nos aliarmos e nos curvarmos definitivamente a eles e a Sentostela.
O Rei Aldric soltou o ar que prendia, o peso da coroa de ouro dobrando a sua postura antes orgulhosa.
— Eu concordo relutantemente com Zigles. Manter uma alian?a estreita com o Rei Aquamarine e mimar absolutamente esses dois prodígios com os melhores recursos dentro da Academia parece a nossa única decis?o lógica de sobrevivência do Estado. Fa?am os preparativos imediatamente. Vamos enviar os mensageiros de mais alto escal?o a Sentostela para formalizar os novos Tratados de Sangue e Amizade... Sen?o, no próximo ano, o nosso reino pode realmente desaparecer do mapa.
[De volta à Academia Próxia — Faltando 1 Semana e 5 Dias para o Torneio]
Ficou estranhamente claro e óbvio para os professores, avaliadores e até diretores da Guilda que eu e Saphira éramos anomalias intocáveis, pe?as no tabuleiro capazes de desequilibrar a geopolítica mundial. Mas, para mim, o medo deles n?o importava. O que me tirava o sono era a minha maldita técnica travada.
Naquela tarde nublada, depois que eu, Joshua e Saphira terminamos um intenso aquecimento varrendo uma ala das masmorras, eu juntei os dois e embainhei a espada.
— Galera — falei, limpando o suor da testa com as costas da m?o. — A nossa sinergia em grupo está ótima e perigosa. A Saphira conseguiu ajudar o Joshua a parar de sobrecarregar e explodir a mana amarela, e a nossa forma??o de defesa está sólida como um tanque. Mas... a partir de amanh? ao nascer do sol, e até o fim do torneio, a Party (Grupo) está dissolvida para os treinos. Nós treinaremos estritamente separados.
Saphira ergueu uma sobrancelha prateada, confusa com a ordem repentina. Joshua cruzou os bra?os enormes, esperando a lógica.
— Se vamos duelar no torneio oficial em formato 1 contra 1 e o chaveamento for honesto — expliquei com um sorriso afiado e competitivo —, é inevitável que nos enfrentemos. é importante guardarmos algumas técnicas e segredos para surpreendermos uns aos outros de verdade na arena de areia. Eu n?o quero uma luta monótona e previsível contra os meus melhores amigos. Eu quero sangue, estratégia e suor de verdade de vocês.
Para a minha surpresa e alegria genuína, ambos sorriram de forma assassina e concordaram na mesma hora. Era a rivalidade marcial falando mais alto do que o conforto da amizade.
Com isso resolvido, a semana de reclus?o come?ou. O dia seguinte marcaria o início do meu inferno particular de raciocínio lógico. Eu precisava consertar a matemática da minha magia sozinho.
Durante o dia claro, eu era um cadete exemplar. Estudava nas aulas teóricas de estratégia, mantendo a minha pontua??o na prova escrita cravada em primeiro lugar invicto. Mais à tarde, Saphira e eu dávamos voltas tranquilas pelo campus aberto, aproveitando os raros momentos silenciosos para conversarmos e rirmos como um casal normal de doze anos de idade.
Mas, ao anoitecer frio e escuro, eu sumia do mapa.
Eu ia furtivamente para as velhas ruínas de uma arena circular abandonada, na extrema orla da floresta da Academia, para que absolutamente ninguém me visse ou interrompesse. Sentado no ch?o de pedra musgosa, com a espada no colo e coberto pela luz prateada do luar, comecei a dissecar e fatiar o código das minhas fraquezas.
Fechei os olhos e chamei a interface mental.
"Sistema. Fa?a um teste de diagnóstico cruzado. Avalie qual é o erro matemático das minhas estatísticas atuais em rela??o aos meus desmaios mágicos. O que está estourando o meu fusível?"
A tela azul translúcida piscou, zumbindo diante dos meus olhos com letras de processamento:
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[Medidor de Análise Avan?ada do Sistema Ativado]
Calculando biometria...
[Resultado:] As estatísticas puramente Físicas do Jogador (240 Pontos base - Cap. Expandido) e as reservas colossais do núcleo de Mana (350 MP) est?o niveladas no patamar biológico de uma Espécie Suprema em desenvolvimento.
Isso significa que o jogador já transcendeu estruturalmente o nível de poder teto e a resistência celular de um humano comum de alto calibre. O colapso neural e os desmaios durante a técnica marcial (13 Passos) N?O s?o causados por falta de For?a muscular, falha de f?lego, ou por falta de Mana bruta armazenada.
Fechei a tela com um soco no ar, totalmente frustrado.
Se n?o era falta de For?a óssea para aguentar a press?o inercial da espada de carvalho, se o meu motor n?o estava quebrando e n?o era falta de Mana no tanque... O que raios estava fritando o meu cérebro e me apagando covardemente exatamente no limite do 6o Passo da minha técnica incendiária?!
Lembrei com clareza do que Saphira havia me dito na sala de treino: a Teoria dos 13 Passos desgastava a minha mente e estourava o meu foco de concentra??o, n?o os meus músculos.
Eu n?o queria mais desmaiar como um novato de Rank F no meio do combo de execu??o. "Deuses, o que eu fa?o de errado?!" murmurei, esfregando o rosto exausto com as m?os sujas de terra.
Passei quase três madrugadas inteiras de ins?nia sentado naquelas ruínas, pensando, repensando, desenhando densos diagramas de fluxo de mana com a faca no ch?o de terra e desconstruindo o código dos movimentos mentais do 1o ao 6o Passo da minha técnica de fogo. Mas nada fazia sentido, a fórmula n?o fechava. Depois de quebrar a mente (e de quase socar e derrubar uma árvore secular de pura raiva da minha incompetência), voltei para o dormitório masculino ao amanhecer, arrastando os pés e com olheiras profundas.
[Na Noite Seguinte]
Eu estava deitado no escuro da minha cama, no quarto 402, observando as rachaduras do teto de pedra, quando uma pequena fagulha invisível acendeu no fundo da minha Inteligência inflada de 240 pontos.
Foi como um estalo perfeito e silencioso. Uma epifania algorítmica.
Se o motor do meu corpo físico estava inquebrável... e se o meu tanque de combustível (Mana) estava transbordando... ent?o o problema mecanico n?o era a constru??o do carro. O problema era o tipo de combustível corrosivo que eu estava for?ando goela abaixo das engrenagens.
O elemento mágico!
Lembrei-me num sobressalto de um conceito esquecido que li na vasta Biblioteca Real de Sentostela, em um tomo escuro, empoeirado e de acesso trancado que a própria Saphira havia me ajudado a traduzir anos atrás. O livro, escrito em códigos pelo lendário Primeiro Rei Invocado de Sentostela, divagava sobre anomalias biológicas em "Mago-Guerreiros" híbridos. Havia uma minúscula nota de rodapé rasurada que dizia exatamente o seguinte:
"Um guerreiro de alto calibre que tenta canalizar e for?ar magia elemental externa diretamente nos seus circuitos e músculos físicos sofrerá uma violenta e silenciosa Rejei??o Sistêmica caso utilize um elemento que seja filosoficamente e biologicamente incompatível com a natureza da sua alma. A natureza inata tentará expulsar como veneno a magia alheia do sangue do portador. Sob esse estresse imenso e incompatível, o corpo n?o suportará desferir mais de seis golpes letais simultaneos com esse elemento antes que os Circuitos superaque?am e causem um colapso protetivo da consciência (desmaio).
Eu arregalei os olhos no escuro do quarto, as pupilas dilatando. A respira??o acelerou.
Seis golpes letais.
A Teoria dos 13 Passos me for?ava a desmaiar exatamente e inevitavelmente um décimo de segundo após eu concluir a aterrissagem do Sexto Passo!
A matemática macabra finalmente e perfeitamente fechou!
Eu passei a minha curta vida inteira, a minha infancia em Eldória e os meus anos nas sombras de Sentostela, tentando imitar as chamas lindas e implacáveis da minha falecida m?e, Sara Heisenberg... tentando emular o fogo destrutivo e explosivo da Saphira... e o fogo caótico e vil de Zack Wolford.
Mas a minha alma... a minha mente que analisava planilhas em hiper-camera lenta e calculava cada angulo de corte na pura matemática fria... a minha alma calculista rejeitava puramente a natureza do Caos e da explos?o agressiva das Chamas. Eu estava for?ando com violência os meus instáveis e confusos Circuitos Roxos a bombear fogo destrutivo pelas veias quando eles, silenciosamente, queriam outra coisa para apagar a queima??o.
Mas... qual era o meu verdadeiro elemento mágico, afinal?
Eu me sentei na beirada da cama, ofegante, o suor frio escorrendo. E, antes mesmo que eu pudesse chamar o Sistema em voz alta para investigar a tese, a interface de tela flutuante explodiu violentamente na minha frente.
A tela n?o brilhou na cor azul analítica de sempre. Ela inundou o quarto escuro em um Dourado Divino e ofuscante que quase me cegou de tanta luz:
[Aviso Crítico do Sistema!]
[Análise Elemental Concluída por Epifania Pessoal Excepcional!]
O Jogador utilizou sua Inteligência Expandida (240 MAX) e intui??o empírica para deduzir teorias antigas, decifrando e hackeando sozinho as Leis Ocultas da Magia de Leunders sem a ajuda de terceiros ou guias de tutorial.
[Recompensa de Descoberta Ativada:] O Caos Térmico acabou. As travas biológicas dos instáveis Circuitos Roxos foram abertas e o veneno expelido. O Sistema sorteará agora, diretamente do cerne do seu código-fonte, as verdadeiras afinidades elementais que ressoam com o frio e a ordem da sua alma!
[Purifica??o Concluída: CIRCUITOS BRANCOS DESPERTADOS]
A sua rede neural mágica atingiu o ápice da pureza, ordem e condutibilidade de mana. O limite de fluxo foi abolido.
Deseja iniciar a Roleta de Afinidade Base e absorver os seus Elementos Mágicos Verdadeiros para os Novos Circuitos?
[Sim] / [N?o]
Eu fiquei estático, a boca seca, sentindo uma leveza celestial indescritível no meu peito. A queima??o de agulhas roxas que me atormentava havia simplesmente sumido. Os meus canais de energia agora irradiavam uma aura pura, fria e absolutamente limpa e branca. A evolu??o havia finalizado.
Isso significava que eu estava lutando em extrema desvantagem natural de software, usando fogo imperfeito na base da estupidez e da for?a bruta sem nenhuma afinidade real, esse tempo todo?! Ahhh! Era exatamente por isso que a minha mana nas pontas dos dedos sempre era t?o instável, desajeitada e sugava a minha energia até eu desmaiar!
Eu n?o hesitei por uma fra??o de segundo. Pressionei mentalmente e com vontade o bot?o [Sim].
A tela holográfica dourada come?ou a rodar palavras brilhantes em altíssima velocidade, acompanhadas por um som mecanico de roleta de cassino. "Fogo", "Vento", "Terra", "Sombras", "Trov?o", "Luz"... As letras rúnicas giravam borradas em uma roleta insana até que as engrenagens travaram e pararam de forma brusca, pesada e definitiva no meio da tela.
A primeira palavra afundou na tela, pingando em um azul escuro, calmo e terrivelmente profundo:
[Afinidade Primária: áGUA]
O segundo espa?o da roleta girou mais lento e cravou, brilhando com um tom esverdeado, limpo e extremamente suave:
[Afinidade Secundária: CURA]
Fiquei estático na borda da cama, os ombros caídos, encarando o Sistema como se ele tivesse me ofendido pessoalmente.
Sério?! O Sistema tá de brincadeira comigo! Dois elementos inteiramente voltados para o fluxo e para o suporte de retaguarda?! Cadê a destrui??o? Cadê as explos?es mortais de área? Cadê o caos sombrio que pulveriza prédios?! Como um guerreiro focado na linha de frente sangrenta, com For?a 240, vai ca?ar assassinos de elite e dilacerar a montanha de músculos do Zack Wolford no campo de batalha usando arminhas de gotinhas de água mansa e enrolando ataduras mágicas?!
Eu levantei as m?os, o rosto vermelho de frustra??o e raiva, quase xingando a Deusa da Magia ali mesmo no quarto escuro.
Mas... a minha Inteligência de 240 Pontos logo sussurrou algo letal na minha orelha.
A água n?o era apenas vida ou po?as no ch?o. A água, sob alta press?o, era o único elemento da natureza capaz de fatiar o a?o mais denso, partir o diamante e afogar cidades inteiras sem deixar o fogo queimar. A água era fluida. Ela n?o entrava em conflito; ela encontrava as rachaduras na defesa inimiga e implodia o corpo de dentro para fora. O fogo queima e apaga. A água é unicamente sufocante e inexorável.
E combinada com a Cura, que afetaria diretamente o meu fluxo de sangue, eu me tornaria uma praga imortal.
Eu sorri, os dentes brilhando no escuro. A escolha do Sistema foi de uma genialidade cruel.
Mas o Sistema Dourado ainda n?o tinha terminado de atualizar o meu cérebro e reeducar os meus métodos. O aviso de vitória derreteu, pixelizando-se, e formou um novo e rigoroso bloco de texto gigante com contornos vermelho-alerta:
[Aviso de Reestrutura??o do Sistema de Batalha!]
O Jogador ancorou perfeitamente os seus Elementos! Devido à descoberta da afinidade verdadeira, 3 Habilidades Básicas Instintivas de Cura foram automaticamente destravadas no seu Códex.
[ATEN??O: MUDAN?A CRíTICA NAS REGRAS DE COMBATE ATIVAS]
Para evitar uma sobrecarga da pureza dos Circuitos Brancos, o Sistema de Slots foi ativado e imposto ao Jogador! > Ao adquirir e estabilizar a sua verdadeira afinidade bélica e fluida (água), o Jogador N?O poderá mais evocar, disparar ou misturar magias de forma caótica, rústica e ilimitada como um mago amador. Para conjurar, você está agora rigidamente limitado a preparar antecipadamente o seu arsenal:
[5 Slots de Combate Ativo] (Habilidades Ofensivas e de Fus?o com Espada).
[3 Slots de Suporte Tático] (Magias de Cura e Buffs Biológicos).
[1 Slot de ápice - Exclusivo] (Reservado para Habilidade de Nível épico/Ultimate).
(Nota Reguladora: Habilidades puramente Biológicas e Passivas da alma - como a Super Recupera??o e o Instinto Superior - est?o ancoradas na carne, ignoram a regra imposta pelos Slots Mágicos e podem ser ativadas livremente enquanto houver carga de Mana. No entanto, o uso simultaneo de feiti?os de dano elementar projetado exige agora táticas estritas, pré-sele??o e limite de memória).
[NOVA MEC?NICA ADICIONADA: MAESTRIA DE HABILIDADE]
Fim da for?a bruta ignorante. Cada habilidade rúnica agora equipada nos seus Slots de combate possui uma intrincada barra de "Maestria". Quanto mais o jogador treinar e usar a técnica perfeitamente em combate real, mais a porcentagem da barra sobe. O dano cinético e mágico resultante n?o dependerá mais apenas de quantos números de Inteligência bruta o jogador possui para explodir as coisas, mas da técnica e do Nível de Maestria daquela habilidade específica moldada.
Caramba! A minha mandíbula caiu e eu caí sentado de vez no colch?o macio. O Sistema havia acabado de cortar as rodinhas da minha bicicleta e estava, literalmente, me for?ando a agir como um estrategista cirúrgico de alto nível.
A partir de agora, eu n?o era mais um po?o de mana livre. Eu teria que gerenciar meticulosamente e com antecedência n?o apenas a minha resistência física corporal e f?lego, mas escolher taticamente e a dedo quais as cinco técnicas exatas de água e lamina que eu levaria prontas para equipar em uma luta.
A minha velha magia deixou brutalmente de ser uma "bazuca de fogo e caos descontrolada", onde eu só injetava mais mana para explodir mais forte, e virou um verdadeiro jogo de xadrez de maestria, escolhas limitadas, disciplina tática e lamina afiada. A coisa tinha complicado e sofisticado drasticamente a um nível absurdo de LitRPG tático. Eu n?o ia poder simplesmente apertar bot?es ou berrar o nome das magias achando que elas matariam por mim.
Respirei fundo, sentindo o ar puro da madrugada congelar os meus pulm?es. O oxigênio era doce.
A raiva e a frustra??o dos dias passados evaporaram das minhas costas, dando lugar a uma euforia de ca?ada fria, calculista e letal. Eu finalmente, depois de anos sofrendo com rejei??o biológica, havia resolvido o meu pior problema vital e apagado o bug do meu corpo. A resposta para a execu??o letal e ininterrupta da Teoria dos 13 Passos sem desmaiar era a pureza e a fluidez gelada e imparável da água, e n?o as chamas ardentes.
Eu tinha ainda uma longa, contada e suada semana inteira de isolamento nas ruínas para testar, refazer as minhas equa??es e dominar absoluta e perfeitamente essa nova configura??o restrita de Slots antes de colocar os pés manchados de sangue na areia da arena oficial do Torneio da Coroa.
O estrago irreparável estava finalmente feito. O "velho" e furioso Igris Wolford, obcecado com o poder do Fogo e com a destrui??o do Caos, havia finalmente queimado e morrido no passado de Eldória para sempre.
A nova e perigosa anomalia, fria, restrita e mortal como uma lamina de gelo escuro, come?aria a treinar amanh? sob a luz da lua.
Voltei a deitar a cabe?a no travesseiro de forma incrivelmente despreocupada, fechei os olhos pesados e caí num sono negro, reparador e muito profundo.
Pela primeiríssima vez em muitos e violentos anos de vida, a minha densa e infinita mana corria incrivelmente mansa, silenciosa, fluida e curativa através dos meus imaculados Circuitos Brancos por todas as veias do meu corpo... purificando o meu ódio, afiando a minha mente para a guerra, e inteiramente pronta para, pacientemente, esmagar sob press?o e afogar violentamente todos os inimigos da minha Fac??o no torneio que estava por vir.
[FIM DO CAPíTULO 14]

