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Capitulo 1 Primeira Travessia

  Azura ainda sucumbia em guerra.

  O que antes fora um mundo pacífico e luminoso tornara-se perigoso e sombrio. As

  florestas, outrora vibrantes, agora permaneciam em silêncio. Os gigantes — nem t?o

  gigantes assim — Entes das florestas pareciam adormecidos havia centenas de anos.

  Sem a companhia dos Druidas, n?o se sentiam mais seguros para suas antigas

  travessuras: pregar pe?as em humanos e an?es, derrubar frutas antes do tempo das

  colheitas, ou simplesmente vagar entre as árvores como guardi?es brincalh?es da

  natureza.

  Os Druidas eram os verdadeiros protetores das florestas.

  E agora... haviam sucumbido às trevas.

  Sem eles, as mats tornaram-se densas, escuras, hostis. A própria essência de Azura

  come?ava a se desequilibrar, espalhando apreens?o entre todos os povos.

  Mas talvez as respostas n?o estivessem em Azura.

  Talvez estivessem em outra terra — distante dos sóis que se encontravam no

  entardecer dourado de Arkandia. Uma terra onde apenas uma lua gélida iluminava

  noites curtas e silenciosas.

  A Terra.

  Um mundo que antes fora populoso e caótico... agora era silencioso. Organizado.

  Onde antes reinavam política, disputas e ambi??o, restara apenas o eco de uma

  civiliza??o que colapsara sob o próprio peso.

  Depois da crise ambiental datada de 2035, a humanidade ruiu.

  N?o como imaginavam — sem o ch?o se abrindo ou ondas gigantes engolindo

  continentes.

  O fim veio de forma mais lenta.

  Sufocamento.

  Guerras civis.

  Doen?as.

  Fome.

  Quando os term?metros deixaram de cair e passaram apenas a subir, os primeiros a

  tombar foram os idosos e as crian?as.

  O nível do mar avan?ou, mas as cidades costeiras foram evacuadas a tempo. Ainda

  assim, o deslocamento massivo de pessoas sobrecarregou suprimentos, abrigos e

  sistemas de emergência.

  O colapso tornou-se inevitável.

  Bastaram três anos para que a humanidade praticamente se extinguisse sozinha.

  E apenas mais um ano — após o chamado Grande Silenciamento — para que a Terra

  come?asse a se curar.

  As chuvas retornaram.

  As temperaturas diminuíram.

  O equilíbrio natural, lentamente, se restabeleceu.

  Mais de cinquenta anos depois, pequenas comunidades sobreviventes haviam

  florescido.

  Através do trabalho unificado, reconstruíram ordem e prosperidade. Comunidades

  focadas na produ??o de alimentos distribuíam recursos para outras que produziam

  tecidos, ferramentas ou tecnologia básica — tudo usado como moeda de troca.

  N?o existiam governos.

  Nem religi?es organizadas.

  Apenas harmonia entre os sobreviventes do fim de uma era.

  A tecnologia coexistia com a natureza. N?o havia produ??o em massa, apenas o

  necessário para melhorar a qualidade de vida.

  Uma dessas comunidades era liderada por Victor Dellemuta.

  Sua fazenda — que décadas antes fora um resort de luxo pertencente à sua família —

  agora abrigava cerca de duas mil pessoas. Todos contribuíam para o bem-estar

  coletivo.

  Plantavam, colhiam e distribuíam alimento para comunidades vizinhas.

  Algumas dessas comunidades haviam crescido como pequenas cidades do interior,

  variando de trinta a trezentos mil habitantes — sendo esta última a maior

  concentra??o humana restante na Terra.

  Dellemuta vivia em relativa tranquilidade. Havia anos que sua comunidade funcionava

  como uma sociedade organizada e próspera.

  Algum tempo atrás, novos moradores chegaram.

  Entre eles estava Hamsey, agora professor da comunidade.

  Ele lesionava para crian?as e adolescentes no??es básicas de ensino — muitos órf?os, outros perdidos durante as

  caravanas dos N?mades.

  Os N?mades eram um povo errante: centenas de pessoas viajando em casas móveis

  feitas de madeira e pano, sustentadas por rodas de metal e borracha. Caminhavam por

  quil?metros, paravam por algumas semanas... mas nunca permaneciam.

  Sempre retomavam a marcha.

  Sempre sem rumo definido.

  Hamsey estava se preparando para iniciar o processo de aprendizado de uma nova

  turma. Eram recém-chegados à comunidade — alguns órf?os, outros resgatados das

  caravanas n?mades.

  Enquanto organizava os materiais sobre a mesa improvisada da sala, ouviu passos se

  aproximando pelo corredor externo.

  — Bom dia, Sr. Hamsey.

  Ele se virou imediatamente.

  — Victor! — exclamou, com simpatia. — Excelente dia.

  Os dois apertaram as m?os com firmeza, sorrindo com familiaridade.

  — O senhor pode me acompanhar até o lobby de restágio? — perguntou Dellemuta. —

  Chegou mais uma menina. No caminho, podemos p?r o papo em dia... se n?o for

  atrasá-lo.

  — Claro que n?o. Será um prazer.

  Saíram lado a lado pelo caminho de pedra que cortava a fazenda.

  O sol da manh? iluminava os campos cultivados, e o vento trazia o cheiro fresco de

  terra molhada.

  — E ent?o, Hamsey... — come?ou Victor. — Como está achando a comunidade depois

  desses meses?

  — Sinceramente? — ele sorriu de canto. — Muito mais organizada do que qualquer

  lugar que já vi. As crian?as têm estrutura, rotina... e esperan?a. Isso faz diferen?a.

  Victor assentiu, satisfeito.

  — E o desenvolvimento delas?

  — Impressionante. Algumas chegaram sem saber ler... agora já escrevem pequenos

  relatos. Outras têm aptid?o para cálculo, mecanica... estamos identificando talentos

  cedo.

  — Isso é bom. Vamos precisar — disse Victor, pensativo. — As produ??es aumentaram

  este trimestre. As comunidades do norte est?o pedindo mais gr?os.

  — Eu vi os relatórios — respondeu Hamsey. — A distribui??o está funcionando bem.

  Trocas equilibradas... tecido, ferramentas, até pe?as tecnológicas simples.

  Victor lan?ou um olhar breve para ele.

  Um olhar avaliativo.

  — Você observa bastante coisa para alguém que chegou há pouco tempo.

  Hamsey manteve o sorriso, mas respondeu com calma:

  — Professor precisa entender o mundo onde os alunos vivem.

  Victor concordou... mas algo em seu semblante indicava desconfian?a silenciosa.

  Continuaram andando até o prédio principal de recep??o.

  Quando entraram, viram a menina sentada em uma cadeira de madeira.

  Era um pouco mais velha que as demais crian?as — aparentava entre dez e doze anos.

  As outras geralmente tinham entre oito e dez

  Estava confusa.

  Visivelmente desidratada.

  Pálida.

  Anêmica.

  Hamsey se aproximou devagar... e ent?o percebeu.

  Seus olhos.

  Heterocromia.

  Mas n?o comum.

  Um olho azul profundo.

  O outro... vermelho.

  N?o um tom natural — parecia rubro, vívido, quase luminoso sob a luz

  Hamsey congelou por um segundo.

  Victor percebeu a rea??o, mas n?o comentou.

  — Vamos integrá-la à comunidade — disse Dellemuta. — Ela vai ficar com a nova

  turma.

  Hamsey assentiu, ainda intrigado.

  Saíram com a garota pelo corredor aberto da fazenda.

  O Ar Muda

  No meio do caminho... Hamsey sentiu.

  O ar estava diferente

  Mais denso.

  Um frio come?ou a crescer dentro do peito, espalhando-se pelos bra?os.

  Ent?o vieram os ruídos.

  Fracos... sobrepostos... incompreensíveis.

  Ele parou, olhando em volta, tentando localizar a origem.

  — Hamsey? — chamou Victor.

  Mas ele mal ouviu.

  Os ruídos aumentavam.

  Como vozes atrás da porta.

  Confusas. Sombrias. Chamando.

  Victor franziu a testa.

  Ele n?o ouvia sussurros.

  O que ele percebia era diferente.

  Um chiado.

  Como vidro sendo pressionado até trincar.

  Como algo pesado rangendo contra o próprio ar.

  — Está tudo bem? — perguntou Victor, desconfiado

  Hamsey piscou, tentando se recompor.

  — S-sim... só... um mal-estar passageiro.

  Victor n?o respondeu.

  Mas passou a observá-lo com ainda mais aten??o.

  Enquanto isso, na sala onde a nova turma aguardava...

  As crian?as come?avam a se entrosar.

  Eram doze ao todo.

  Pedro era, sem dúvida, o mais barulhento.

  — Eu ganhei do meu irm?o mais velho numa corrida! — dizia, inflando o peito. — Ele

  tem dezesseis!

  Cristopher e Natan riam.

  — Tá bom, Pedro... — zombou Natan. — E depois você derrotou um urso também?

  — Derrotei nada... mas quase!

  Grace, sentada mais ao fundo, falava baixo com Maisa e Bethany.

  — Eu... perdi meus pais nas inunda??es... — contou. — As represas antigas...

  romperam. Levou tudo.

  As duas se comoveram, segurando sua m?o.

  Outras crian?as conversavam, trocavam histórias, riam.

  A sala estava viva.

  Acolhedora.

  Até que...

  O silêncio caiu de repente.

  Um frio tomou o ambiente.

  As luzes come?aram a piscar sem parar.

  O ar ficou estático.

  Sobre as cabe?as deles — próximo ao teto — faíscas surgiram do nada.

  Raios elétricos crepitavam no vazio, como se rasgassem o espa?o.

  As crian?as mal tiveram tempo de reagir.

  Uma explos?o colossal irrompeu.

  O impacto lan?ou paredes e janelas para fora do prédio.

  O estrondo ecoou por toda a fazenda.

  Um clar?o branco cegou quem estava próximo.

  Hamsey e Dellemuta correram junto de dezenas de moradores.

  Quando chegaram...

  Victor parou.

  This book was originally published on Royal Road. Check it out there for the real experience.

  A cena diante dele era devastadora.

  A sala havia sido obliterada.

  N?o existiam mais paredes — nem parte do ch?o.

  Havia membros espalhados entre os escombros.

  Sangue escorria entre tábuas quebradas e pedras.

  Equipes de socorro foram acionadas imediatamente.

  Os que foram arremessados para fora morreram na hora.

  Outros sobreviveram... por milagre.

  Metade das crian?as ainda respirava.

  E ent?o...

  Mais duas crian?as foram encontradas.

  Um menino e uma menina.

  Apareceram entre os escombros — mas ninguém sabia de onde vieram.

  Diferente das outras, n?o tinham ferimentos.

  Apenas estavam desacordados.

  Victor sentiu o est?mago gelar.

  Ele conhecia todos os recém-chegados da comunidade.

  Todos.

  E tinha certeza absoluta...

  Nunca tinha visto aquelas duas crian?as.

  Enquanto os socorros continuavam, Hamsey observava as express?es ao redor.

  Choque.

  Medo.

  Confus?o.

  Perguntas ecoavam:

  O que aconteceu?

  Como uma explos?o dessa magnitude ocorreu sem fonte de energia?

  A fazenda era realmente segura?

  Hamsey sentiu o frio voltar ao peito.

  Ele suspeitava da origem da explos?o.

  E da origem das duas crian?as.

  Pensou em revelar a verdade sobre si mesmo para Dellemuta...

  Mas conteve-se.

  Ainda n?o era o momento.

  Para n?o levantar ainda mais suspeitas e apreens?o, ele permaneceu em silêncio —

  observando, calculando... esperando

  Porque, no fundo, ele sabia:

  Aquilo n?o era um acidente.

  Era o come?o.

  Para n?o levantar ainda mais a curiosidade e a apreens?o dos moradores, Hamsey

  pediu autoriza??o para se ausentar com as duas crian?as por alguns dias.

  Victor o chamou para uma conversa reservada antes da partida.

  — Quer levá-los para fora da comunidade? — perguntou, sério.

  — Sim. Para o Pier 1... o primeiro farol depois da eleva??o do mar. Lá é isolado...

  seguro. E, talvez, eu consiga respostas.

  Victor o observou em silêncio por alguns segundos.

  — Você suspeita de algo.

  N?o foi uma pergunta.

  Hamsey hesitou... mas respondeu com cautela:

  — Suspeito que eles n?o s?o apenas sobreviventes de uma explos?o.

  Victor estreitou os olhos.

  — E devo confiar essa investiga??o a você... por quê?

  Hamsey sustentou o olhar.

  — Porque, se eu estiver certo... ninguém mais saberia lidar com isso.

  O silêncio se prolongou.

  Por fim, Victor assentiu.

  — Cinco dias.

  — Leve suprimentos e um rádio caso haja emergências.

  — E Hamsey...

  Ele parou antes de sair.

  — Se estiver escondendo algo de mim... espero que seja pelo bem da comunidade.

  — é — respondeu o professor, com firmeza.

  E partiu.

  


  


  O mar, décadas após a eleva??o global, havia redesenhado o mundo.

  Antigas zonas costeiras estavam submersas. O continente agora encontrava o oceano

  em falésias elevadas, onde faróis haviam sido adaptados como pontos de observa??o

  e abrigo.

  O Pier 1 era rústico.

  Construído com madeira reaproveitada, metal oxidado e cordas náuticas antigas. O

  farol, de pedra clara desgastada pelo sal, erguia-se solitário contra o horizonte cinza-

  azulado.

  As ondas batiam com for?a nos pilares inferiores, produzindo um eco constante —

  grave, quase meditativo.

  Cinco dias se passaram.

  As duas crian?as estavam mais confiantes.

  Já se expressavam melhor... mas ainda n?o conseguiam se comunicar plenamente.

  Era como se tivessem perdido toda a memória.

  N?o lembravam nomes.

  Origem.

  História.

  Falavam poucas palavras soltas.

  Hamsey passou a acreditar que eram irm?os — talvez gêmeos — pela estatura, idade e

  aparência semelhante.

  E, cada vez mais, tinha certeza:

  Eles estavam ligados à explos?o.

  Enquanto Hamsey organizava pensamentos perto do farol, as crian?as brincavam

  próximas à água.

  Corriam entre pedras, riam, jogavam pedregulhos no mar.

  Eram... normais.

  Lúdicos. Inocentes.

  Por alguns minutos, pareciam apenas crian?as comuns vivendo um mundo novo.

  Até que o clima mudou.

  A serenidade se densificou.

  O menino, ajoelhado nas pedras, levou a m?o ao abd?men.

  Uma dor súbita.

  Violenta.

  Ele arfou.

  Sussurros invadiram sua mente.

  O ar ficou pesado. Respirar tornou-se difícil.

  Suas veias faciais dilataram. Os olhos pareciam saltar do rosto.

  A irm? percebeu e correu até ele.

  — Ei... ei...

  Colocou as m?os em seus ombros, tentando acalmá-lo.

  Foi quando ele ergueu a cabe?a para o céu... e gritou.

  Um brilho dourado escapou de sua boca.

  Rápido como um flash.

  Mas visível.

  Hamsey, ao longe, viu.

  E correu.

  Antes que alcan?asse as crian?as...

  Um rastro de luz cortou o céu.

  Um meteorito dourado descia em dire??o ao mar

  Mas n?o em alta velocidade.

  Era lento.

  Como se tivesse sido erguido... e solto com cuidado.

  Ao tocar a água salgada, ergueu uma onda colossal que se expandiu em todas as

  dire??es.

  — Corram! — gritou Hamsey.

  Pegou as duas crian?as e disparou em dire??o ao farol.

  O menino mal conseguia andar — ainda sofria com a dor.

  Hamsey o carregou, ofegante, subindo os degraus de madeira.

  Mas, antes de alcan?arem a escada externa...

  Ele percebeu.

  Era tarde.

  A onda já estava sobre eles.

  Ele pensou em protegê-los com o próprio corpo.

  Preparou-se para o impacto.

  Foi quando a garota se soltou e estendeu a m?o.

  Uma barreira de luz roxa suave surgiu diante deles.

  Hamsey arregalou os olhos.

  — Mas o quê...?

  A barreira se expandiu.

  Ergueu-se contra a onda... e a cortou ao meio.

  A água se dividiu, perdendo for?a.

  O impacto ainda os lan?ou contra a escada, mas com dano reduzido.

  Eles conseguiram subir.

  No topo do farol, a garota manteve a barreira até o perigo passar... ent?o a desfez.

  O silêncio voltou.

  O menino, ainda ofegante, olhou para ela com admira??o pura.

  — Você é... t?o legal.

  Foi a primeira frase completa que ele disse.

  Hamsey ficou sem palavras.

  O Retorno

  Quando as águas regrediram, eles desceram e fizeram contato por rádio.

  Victor respondeu imediatamente.

  — Hamsey, você precisa voltar agora. é sobre as crian?as que sobreviveram à

  explos?o.

  — O que houve?

  — Volte. Explico pessoalmente.

  A Revela??o Come?a

  Ao chegarem, Victor os recebeu na entrada da ala médica.

  — Você parece que viu um fantasma — disse ele.

  — Eu vi pior — respondeu Hamsey.

  Enquanto caminhavam, ele contou tudo:

  A dor do menino.

  O brilho dourado.

  O meteorito.

  A onda.

  A barreira roxa.

  Victor ouviu em silêncio absoluto.

  — Eu estava pronto para te contar a verdade... — disse Hamsey.

  Antes que continuasse, chegaram à sala de recupera??o.

  As crian?as sobreviventes estavam bem.

  Sem ferimentos, inquietas e falantes.

  Pedro tentava fugir da enfermeira que queria aplicar soro.

  — Eu já disse que t? bem!

  Mas, quando as duas crian?as misteriosas entraram...

  O ambiente parou.

  Todas ficaram estáticas.

  Os olhos delas come?aram a brilhar — cada um com uma cor diferente.

  Como lampadas acendendo.

  Um som suave tomou a sala.

  Como um carrilh?o de madeira ao vento.

  O ar ficou poderoso... mas reconfortante.

  Seguro.

  Victor se virou lentamente para Hamsey.

  — Você tem algo a me dizer?

  Hamsey respirou fundo. Ambos caminharam até o escritório de Victor.

  — Existem mundos entre o espa?o e o tempo... — come?ou. — às vezes, janelas se

  abrem entre eles.

  Victor permaneceu em silêncio.

  — Essas crian?as vieram de um desses mundos. Como... eu n?o sei. Mas, se est?o

  aqui, alguém pode vir buscá-las.

  Ele olhou pela janela que dava vis?o para ala hospitalar.

  — E enquanto estiverem aqui... estaremos seguros.

  Victor franziu a testa.

  — Seguros de quê?

  — Daquilo que está vindo.

  Pausa.

  — E eu só n?o sabia... que eles conseguiriam acessar a magia de lá... daqui.

  — De onde? — perguntou Victor.

  — Azura. A terra que acredito que vieram.

  Os enfermeiros deitavam as crian?as que haviam desacordado após os brilhos nos olhos, nas macas.

  Victor refletiu por alguns segundos.

  — Precisamos dar nomes a eles... se v?o ficar aqui.

  Hamsey assentiu.

  — Pensei nisso. A menina... Anne.

  — E o menino... Evan.

  Victor concordou.

  — Pode ser. Vai cair bem enquanto estiverem aqui.

  Ent?o ele voltou o olhar para o professor.

  — E você... como sabe de tudo isso?

  Silêncio.

  Hamsey endireitou a postura.

  Quando falou, sua voz já n?o era apenas a de um professor.

  — Porque eu também sou de lá.

  Victor congelou.

  — Eu vim para cá tentando proteger meu reino da tirania das trevas.

  Seus olhos refletiram uma luz antiga.

  — Sou o Primeiro Cavaleiro condecorado de Prismara.

  — Filho do Rei Anok e da Rainha Una.

  — Herdeiro do Grande Escudo Arcano.

  Ele fez uma pausa final.

  — Eu sou Gehard, O Imortal.

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